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Revista A Taverna – Edição 4 | Resenha

Revista A Taverna – Edição 4 | Resenha

Já virou tradição aqui na equipe do Leituraverso aguardar pelas edições da Revista A Taverna. Em junho de 2021, a espera acabou com o lançamento da edição 4 que traz uma coleção de contos que misturam fantasia, ficção científica e boas doses de suspense. Mais do que nunca, a publicação vem em boa hora para nos dar refúgio nesse momento difícil pelo qual estamos passando, oferecendo sete histórias de diferentes autores nacionais.

O primeiro conto é Acendedor de Lampião, do escritor Yves São Paulo. O autor pega algo simples como o medo do escuro e faz disso um desafio para o humilde Serafim, o acendedor de lampiões da cidade de Amargo. Enquanto acompanhamos o protagonista, a narrativa nos mostra todo o seu terror perante o desconhecido, criando uma atmosfera de suspense, além de evidenciar o racismo que o rapaz precisa enfrentar. A conclusão é uma surpresa pela forma como é revelada.

Em seguida vem o primeiro destaque da edição: Outro Dia de Briga de Esmirna Silveira, de Gabriel Espindola. A trama nos mostra a rotina de Esmirna, uma estudante que segue todo um ritual para ir à escola durante um “dia de briga”. As peculiaridades da menina e do lugar que ela frequenta aos poucos fornecem ao leitor o que seria de fato esse dia de briga. O que chama a atenção é como o autor pega elementos tão comuns e previsíveis de narrativas colegiais e coloca em um contexto diferente, resultando em uma obra ao mesmo tempo simples e surpreendente.

Águas, escrito por André Colabelli, é a primeira novidade do quarto volume da Revista A Taverna. Trata-se de uma ficção relâmpago, mais curta se comparada às outras e que permite aos leitores tirarem diversas conclusões. Para quem gosta desse tipo de leitura, ao final desse conto é possível criar algumas interpretações. Para outros, porém, essa fórmula pode resultar em algo confuso que deixa aquele pensamento: “tá, mas e daí?”

O Homem Árvore é a quarta história da coletânea. Nela, o escritor Felipe Guimarães faz uma mistura de drama e ficção científica ao nos mostrar como pai e filho perderam a emoção de viver após um acontecimento passado. No meio desse clima de indiferença e apatia, surge uma doença altamente contagiosa com efeitos perturbadores em quem a contrai. Assim, vemos o efeito que esse novo contexto terá na relação dos dois personagens. É difícil não associar essa premissa à pandemia que estamos enfrentando no momento e também ao livro A Dança da Morte, de Stephen King, por mais que haja diferenças. O desfecho é comovente e chocante.

A segunda ficção relâmpago é Hematita. A trama escrita por Júlia Calasans segue o mesmo estilo de deixar algumas perguntas no ar, mas consegue ser mais instigante ao mostrar o retorno da protagonista à sua cidade de origem depois de receber um bilhete com apenas uma palavra.

O conto que encerra a revista é As Três Máscaras de Abhul. Esse é o outro destaque da edição, com uma pegada mais fantástica onde o autor Roberto Fideli reúne magia e equipamentos tecnológicos em um cenário aparentemente futurístico. Acompanhamos três magos que decidem adentrar o território de Abhul para dar fim ao perigo que essa criatura representa. Mas os obstáculos que surgem tornam a tarefa complicada e o destino dos protagonistas incerto. Com a narrativa mais consistente e empolgante, essa obra encerra de maneira satisfatória e deixa a possibilidade de ser expandida mais para frente.

Valeu a pena esperar pela quarta edição da Revista A Taverna. Mais um vez, a equipe e os autores se dedicaram a trazer algo diferente para seus leitores, com a intenção de nos confortar com contos criativos que nos transportam para outros mundos que não o nosso. Se você também quiser escapar da realidade por algumas horas, então sente-se e abra seu exemplar.

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Sobre Mozer Dias

Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.