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Resenha | O Senhor do Tempo (As Crônicas do Apocalipse livro 1)

Resenha | O Senhor do Tempo (As Crônicas do Apocalipse livro 1)

O caos pode revelar a verdadeira essência das pessoas, mostrando como elas agiriam em uma situação extrema. Um cenário pós-apocalíptico, por exemplo, serviria para comprovar essa afirmação. E é justamente nesse ambiente que o autor Márcio Pacheco coloca seus personagens para contar As Crônicas do Apocalipse, série de cinco volumes que começa com O Senhor do Tempo.

A trama se passa em 2153, em um mundo que foi assolado pela Terceira Guerra Mundial. Em meio a cidades em ruínas, desertos e um vírus que infectou milhares de pessoas, o território conhecido como Pós-Guerra é governado por homens ambiciosos dispostos a tudo para permanecerem no poder. Nesse contexto, acompanhamos a jornada de personagens-chave, cada um incumbido de uma missão. Mas o que a maioria deles não sabe é que seus caminhos se cruzarão graças a uma figura peculiar: o Senhor do Tempo.

Os capítulos vão se alternando para apresentar os pontos de vista de cada personagem e, através deles, vamos nos situando dentro da narrativa e conhecendo as diversas regiões do Pós-Guerra. Conforme eles vão se desenvolvendo e interagindo, as peças vão se encaixando como em um quebra-cabeça e percebemos as conspirações e manipulações que acontecem por baixo dos panos para que os objetivos de alguns indivíduos se concretizem.

Esses núcleos narrativos apresentam figuras com personalidades bem distintas e doses diferentes de carisma. Mordecai é um dos mais carismáticos e misteriosos, atuando na Cidade Fantasma para eliminar pessoas infectadas pelo vírus. Yohan é um mecânico da Forja com um senso de justiça bem definido. Dante é o cara de pau da história, mas também um dos mais divertidos. Ethan ainda está se encontrando; mesmo passando por muitas dificuldades, ainda é imaturo, mas promete muito para o futuro. Já Meredith tem um passado sombrio, mas é a que menos inspira simpatia devido a algumas atitudes pouco convincentes que ela toma. Porém, independente de quem seja, todos eles se mostram pessoas com qualidades e defeitos.

O autor comentou em sua participação no podcast Novos Autores que se inspirou em algumas obras conceituadas para criar sua saga. Uma delas é As Crônicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin, onde vemos essa mesma divisão de capítulos por personagem e as intrigas pelo poder. O suspense fica por conta da influência de Dan Brown e sua capacidade de criar uma atmosfera de mistério. Além disso, Márcio comenta que tirou inspiração de Bernard Cornwell, autor d’As Crônicas de Rei Arthur, e do filme Guerra Mundial Z.

Por ser uma série de cinco livros, as informações são fornecidas sem pressa para manter a expectativa elevada. Assim, não temos muitas informações a respeito da Guerra logo de cara, nem o que a motivou. Na verdade, já se passou tanto tempo desde o conflito que as pessoas estão começando a esquecer conceitos básicos sobre ciência e história que antes eram comuns. É quase o que acontece em A Torre Negra, de Stephen King, onde o grupo de pistoleiros já não sabe quase nada sobre o passado do mundo onde estão.

Perto da conclusão, muitas das peças já estão no seu devido lugar e começamos a compreender a dimensão do que está acontecendo e o que realmente está em jogo. Mesmo assim, muitas questões permanecem para fazer o gancho com o segundo livro, A Máscara da Peste. Dessa forma, O Senhor do Tempo é apenas a porta de entrada para algo maior, pois As Crônicas do Apocalipse prometem muitas revelações e reviravoltas, testando os limites dos seres humanos e mostrando até onde eles estão dispostos a chegar para sobreviverem.

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.