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Resenha | Krystallo – Jornadas para Além das Fronteiras

Resenha | Krystallo – Jornadas para Além das Fronteiras

Hoje vamos apresentar mais uma obra da literatura nacional independente: trata-se do livro Krystallo – Jornadas para Além das Fronteiras, do escritor Raphael Fraemam, o qual promete uma aventura voltada para os fãs de Percy Jackson, Harry Potter e Jogos Vorazes.

A trama nos transporta para um mundo dividido entre duas potencias: Econ e Opus, as duas nações do continente de Emperon que travam uma guerra secular com o objetivo de controlar os cristais de energia infinita conhecidos como Krystallos. Tomé é um rapaz de Econ que embarca em uma viagem repleta de perigos. Enquanto isso, Gray, uma garota de Opus, é sequestrada no dia do seu aniversário e levada para um lugar desconhecido. Conforme cada um trilha sua jornada para retornar ao lar, os dois jovens descobrem diversas mentiras contadas pelos governos de seus países e a existência de um perigo ainda maior que unirá seus caminhos.

Como fica subentendido pela sinopse, nós temos dois núcleos distintos: o de Tomé e o de Gray. Esse foi um recurso interessante utilizado pelo autor para abranger todo o contexto por trás da trama, valendo-se de dois pontos de vista diferentes. Com o avanço da leitura, mais dois personagens ganham destaque para sabermos o que está acontecendo nos dois países rivais. O problema dessa abordagem é a repetição de algumas informações que o leitor já sabe, mas um dos personagens ainda não tem conhecimento. Sem contar a quebra de ritmo em alguns momentos.

Já o contexto político é muito forte em toda a obra, chegando a ser mais importante que as jornadas individuais dos dois protagonistas. Percebemos uma clara inspiração no cenário distópico de 1984, de George Orwell, além de referências à atual situação política de alguns países, inclusive o Brasil. Sendo assim, o momento para lançar o livro foi o mais adequado se considerarmos que acabamos de passar por uma eleição presidencial. Entretanto, diante do cenário da política brasileira e de todas as brigas consequentes dele, esse ponto da leitura não agradará quem criou resistência a esse tema.

Considerando o público-alvo para o qual Krystallos foi escrito, é compreensível que a narração fuja de cenas e vocabulário muito pesados e violentos, porém as soluções apresentadas para alguns problemas chegam a ser infantis e inverossímeis. Há, inclusive, outros aspectos que já comentamos no podcast De Autores Para Autores que são a criação de um mundo fantástico (o worldbuilding) e a formação de diálogos. O livro peca justamente nesses dois pontos, com descrições e informações em excesso em determinadas partes e também nos diálogos fracos, principalmente os protagonizados por Gray.

Contudo, é preciso ressaltar os pontos positivos. A princípio, a narrativa apresenta um grande número de personagens, aparentemente sem conexão entre si. Mas a forma como tudo se encaixa foi muito bem planejada pelo autor. Nos capítulos finais, há uma melhora considerável na agilidade dos acontecimentos e cenas de ação, chegando ao ponto de causar ansiedade sobre o que vem a seguir.

Como esse é o primeiro volume de uma saga, o final de Krystallo – Jornadas para Além das Fronteiras deixa pistas do que será abordado nos próximos livros e as consequências do que aconteceu anteriormente. O contexto político e o público alvo para o qual a obra é destinada podem afetar a experiência de leitura, mas caso você não se incomode com esses detalhes, vale a pena conferir e tirar suas próprias conclusões.

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.