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Resenha | Flor de Sangue – Waldir L. Santos

Resenha | Flor de Sangue – Waldir L. Santos

Algumas pessoas são capazes de cometer atos extremos sob o pretexto de agirem pelo bem dos outros quando, na verdade, nada justifica certos comportamentos. Essa é a ideia central de Flor de Sangue, romance de estreia do escritor Waldir L. Santos, que também escreveu Cativeiro do Medo.

A história gira em torno de Vand e Margarida, dois irmãos que levam uma vida humilde morando de favor. Ele é um pintor de paredes talentoso que trabalha sem descanso para cuidar do filho com necessidades especiais. Ela, por sua vez, é uma jovem médica ambiciosa disposta a qualquer coisa para ajudar Vand e o sobrinho. Usando seus conhecimentos em Medicina, a garota desenvolve uma tinta de tonalidade única que imediatamente dá fama ao irmão. Porém o ingrediente secreto dessa tinta é algo bem peculiar: sangue humano. Para manter o estoque cheio e alavancar a carreira do pintor, Margarida não hesitará a sujar as mãos. Literalmente. 

A princípio, a motivação da protagonista é nobre, o que faz com que não a condenemos logo de cara. Contudo, Margarida esconde uma soberba que aos poucos vai ficando mais evidente, resultando em uma relação de amor e ódio com os leitores. Em alguns momentos torcemos por ela e em outros, desejamos que ela se dê mal. Essa dualidade se mantém ao longo da leitura, por mais que ela se revele uma personagem linear

O autor não economiza nas cenas violentas e macabras, mas sem parecer algo absurdo ou forçado. Os métodos adotados por Margarida são baseados em procedimentos médicos, o que torna a narrativa verossímil e realista, por mais que as situações e cenários apresentados sejam incomuns. 

No geral, a trama possui alguns furos e deixa algumas pontas soltas, mas é preciso lembrar que esse é o primeiro livro de Waldir. Seu segundo trabalho, Cativeiro do Medo, já apresenta melhoras nesse quesito, devido à experiência adquirida. Mesmo assim, é comum que durante a escrita alguns erros passem despercebidos por quem está escrevendo, por isso é essencial que a obra passe pelas mãos de terceiros para um processo de revisão. Infelizmente, os responsáveis por essa etapa em Flor de Sangue deixaram a desejar, permitindo que muitos problemas evitáveis fossem adiante na publicação.  

A ideia é atrativa, a personagem central causa perturbação com sua frieza e crueldade — ainda que tente justificá-las com sua lógica distorcida — e ainda há a curiosidade para descobrir o que virá a seguir. Por isso devemos dar uma chance para este romance. O terror nacional vem se destacando ultimamente e um thriller como esse merece atenção por ser o primeiro passo de um novo escritor com futuro promissor dentro do gênero.

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.