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Resenha | Ordem Vermelha – Filhos da Degradação (livro 1)

Resenha | Ordem Vermelha – Filhos da Degradação (livro 1)

Ordem Vermelha – Filhos da Degradação é a primeira obra de fantasia nacional publicada pela Intrínseca em parceria com a CCXP – Comic Com Experience. Porém sua concepção difere um pouco do habitual, pois o livro é resultado da combinação do trabalho do escritor Felipe Castilho com os artistas conceituais Rodrigo Bastos Didier e Victor Hugo Sousa.

Untherak é a última cidade habitada do mundo. Nela, encontram-se humanos, kaorshs, sinfos, anões, gnolls e gigantes. Todos eles vivem sob o jugo da deusa imortal Una, que governa o lugar impondo a sua vontade. Até que a kaorsh Yanisha descobre um segredo terrível e, junto com sua esposa Raazi, põe em prática um plano audacioso para expor a verdade durante o Festival da Morte. Foi em uma edição deste torneio que o falcoeiro Aelian perdeu seu pai em batalha e foi condenado a levar uma vida de servidão para pagar a dívida deixada. Agora, tudo o que ele conhece está prestes a mudar diante de todos os acontecimentos que estão por vir.

Ordem Vermelha é um projeto que começou com a criação de alguns conceitos pelos artistas Rodrigo Bastos e Victor Hugo. Em seguida, Felipe Castilho escreveu a trama em cima das artes que já haviam sido criadas e assim o livro foi tomando forma, com as contribuições de cada um. O que saiu disso foram diversas ilustrações e um mapa que tornam a experiência de leitura mais imersiva e possibilita que, futuramente, ela se expanda para outros formatos, seja por meio de vídeos e até mesmo esculturas colecionáveis (quem sabe?).

Entretanto, o foco principal ainda é a escrita, de modo que a descrição dos personagens e dos cenários deve pôr em palavras tudo o que foi imaginado. Nesse quesito, Felipe mostra todo seu talento para criar descrições vívidas, tanto que ele foi citado como referência no podcast De Autores para Autores sobre esse tema. Toda uma atmosfera sombria é criada, a caracterização das pessoas, os lugares, tudo isso descrito de forma clara. Inclusive, podemos “ver” uma das cenas de luta mais empolgantes durante o Festival da Morte, com momentos de tirar o fôlego.

Além disso, o contexto em si tem bastante força, já que o mundo foi reduzido a uma única cidade habitável onde várias atrocidades são cometidas em nome da deusa Una. De um lado, o regime ditatorial que se vale do fanatismo religioso e alimenta a ignorância da população para mantê-la presa a superstições; do outro, pessoas dispostas a morrer para que a verdade seja revelada, mesmo sabendo que muitos não vão querer enxergá-la.

E uma boa narrativa não estaria completa se não tivesse personagens capazes de sustentá-la. Durante a leitura, conhecemos várias figuras importantes. Algumas conquistam nossa simpatia logo de cara, como o carismático sinfo Ziggy. Outras já são odiadas imediatamente, como o sinistro general Proghon, o braço direito de Una. Aelian tem mérito de amadurecer no decorrer da trama; já Raazi é uma guerreira incrível com o dom de manipular as cores no seu próprio corpo, uma habilidade típica dos kaorshs.

Para quem gosta de fantasias sombrias, Ordem Vermelha – Filhos da Degradação é um ótimo exemplo de como se contar uma boa história aproveitando-se das diferentes aptidões de cada um de seus colaboradores. Esse foi o início de uma saga que tem tudo para se tornar referência no cenário fantástico nacional se continuar seguindo com essa qualidade.

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.