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Resenha | O Guia do Mochileiro das Galáxias (livro 1)

Resenha | O Guia do Mochileiro das Galáxias (livro 1)

O Guia do Mochileiro das Galáxias certamente é umas das obras de ficção científica mais influentes da Literatura Mundial. Tanto que era um absurdo que eu ainda não tivesse lido a saga que consagrou Douglas Adams como escritor. Mas em 2019 resolvi consertar esse erro e embarquei no projeto de ler todos os cinco livros, um por mês. O resultado será uma série de resenhas que inicio agora.

No primeiro volume, conhecemos o terráqueo Arthur Dent, que escapa da Terra pouco antes de ela ser destruída. Quem o ajuda em sua fuga é Ford Prefect, um alienígena que vivia disfarçado entre os humanos. Juntos, os dois embarcam em uma aventura rumo ao lendário planeta Magrathea e pelo caminho conhecem outras figuras tão peculiares quanto eles. Em meio a bizarrices e fatos improváveis regados a bom humor, nossos desbravadores da galáxia descobrirão a verdadeira história da Terra e a resposta para uma questão fundamental sobre a Vida, O Universo e Tudo o Mais.

Para entender o sucesso de O Guia do Mochileiro das Galáxias, basta sabermos algumas curiosidades a respeito de Douglas Adams. Ele era dotado de um intelecto diferenciado e uma capacidade de enxergar além que poucas pessoas possuem, fato que o tornou responsável por muitos dos roteiros da série clássica de Doctor Who, entre outros projetos de bem-sucedidos. Em O Guia, ele reúne em um único lugar muitas de suas paixões: ciência, tecnologia, literatura, vida selvagem, meio ambiente e, o tempero principal, senso de humor.

Este último ingrediente é o grande diferencial da escrita de Adams. Cada descrição, cada diálogo e momento inusitado é recheado de humor, com um leve (nem sempre) toque de ironia e crítica. A narrativa satiriza várias situações do cotidiano que eu e você provavelmente já presenciamos: a burocracia para realizar tarefas simples, a hipocrisia de algumas pessoas, julgamentos baseados em classe social e nível intelectual, entre outras coisas. A cada duas ou três páginas, eu precisei parar para rir da situação mostrada. Algumas delas são até comuns, como uma simples toalha, mas a forma como são descritas tornam tudo extraordinário.

– […] lamento não ter escutado o que mamãe me dizia quando eu era garoto.

– Por quê? O que ela dizia?

– Não sei. Eu nunca escutei.” (p. 80)

Porém, o livro não é apenas a fantasia imaginada por uma mente visionária. Vários fatos e teorias científicas estão presentes, afinal Adams também era um estudioso. E da Ciência, nasceram conceitos fictícios fundamentais para a história, como o gerador de improbabilidade infinita, o mecanismo que impulsiona a nave dos protagonistas. Só que isso acaba se tornando uma ferramenta para o próprio desenvolvimento da trama, uma vez que fatos improváveis ficam bem mais plausíveis quando levamos em consideração essa engenhoca.

Quando o assunto são os personagens é difícil escolher um favorito, pois todos eles interagem da forma certa para prender nossa atenção. Arthur e Trillian são os humanos em diferentes níveis de adaptação à vida no espaço; Ford é um dos que proporcionam as falas mais engraçadas; já o Zaphod é intrigante, ao mesmo tempo em que parece só um louco. Mas um dos personagens mais cativantes é o robô Marvin, o Androide Paranoide, que foi construído com uma personalidade humana um tanto quanto singular, mas que nem por isso deixa de fazer sentido.

Em meio a piadas e momentos hilários, O Guia do Mochileiro das Galáxias me cativou tanto pela ideia original quanto pela forma como ela é contada. Entretanto, Douglas Adams vai além disso e busca respostas para questões elementais para nossa vida. Então não havia jeito melhor de começar as leituras de 2019 e, por esse motivo, eu agradeço à Willyara Amorim, do blog Entre Nos Mundos, que primeiro puxou minha orelha por ainda não ter lido O Guia e depois me presenteou com a série. Até mais, e obrigado pelos peixes!

Adicione este livro à sua estante!

Leia a resenha dos outros volumes:

As minhas impressões sobre a série como um todo

Leia mais sobre ficção científica no Leituraverso

Conheça “O Lado Nerd da Literatura“, por Marcus Alencar.

Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.