Capa » Resenhas » O Duelo dos Reis (A Primeira Lei – livro 3) | Resenha
O Duelo dos Reis (A Primeira Lei – livro 3) | Resenha

O Duelo dos Reis (A Primeira Lei – livro 3) | Resenha

Depois de muito sangue, mortes e longas jornadas pelo Círculo do Mundo, finalmente cheguei ao último volume da trilogia A Primeira Lei. No primeiro livro, o talento de Joe Abercrombie já havia se evidenciado, mas agora com a conclusão apresentada em O Duelo dos Reis, ele se torna um dos meus escritores de fantasia favoritos.

A guerra entre a União e os nórdicos enfim eclodiu. Na linha de frente, o coronel West e suas tropas precisam reconquistar um território decisivo e para isso contarão com a ajuda de aliados que compartilham do mesmo inimigo. Enquanto isso, Bayaz, Jezal e Ferro retornam a Adua e encontram a capital à beira de uma revolta de camponeses. Em paralelo, o rei da União encontra-se doente e sem herdeiros, fato que inicia uma disputa secreta pelo trono. No meio dessa briga está Sand dan Glokta tentando realizar os desejos de seu senhor e sobreviver no processo. Para piorar ainda mais a situação, a ameaça gurkense se aproxima trazendo perigos que desafiam a Primeira Lei.

Se nos dois primeiros livros fomos apresentados aos protagonistas seguindo suas jornadas rumo a destinos diferentes, agora a narrativa faz com que seus caminhos se encontrem em um ponto comum. Mais cedo ou mais tarde, vemos os diversos núcleos se cruzarem em momentos decisivos, sejam como aliados ou inimigos.

A construção dos personagens que o autor vinha desenvolvendo ao longo da trilogia se completa de maneira surpreendente, mostrando a verdadeira faceta de cada um deles. Bayaz mostra que está disposto a sacrificar qualquer coisa para atingir seus objetivos; Jezal encontra sua coragem em meio a tantas mentiras e Logen Nove Dedos decide encarar seu passado pela última vez, nem que para isso ele tenha que deixar o Nove Sangrento assumir o controle. E pela terceira vez eu preciso destacar Glokta, que mantém a mesma postura fria e sarcástica ao agir mesmo que precise ir contra suas obrigações como inquisidor, algo que o concretiza como o melhor personagem da saga sem muito esforço.

Com tantas lutas acontecendo em diferentes lugares, era de se esperar que esse fosse o livro mais sangrento. As batalhas tornam-se muito mais intensas e brutais, porém o que se sobressai na escrita de Abercrombie é o espaço que ele reserva para o psicológico dos seus personagens em meio à violência, tornando cada combate único.

E por falar em combate, O Duelo dos Reis tem um dos combates singulares mais incríveis que eu já li. Não só a brutalidade da luta, mas tudo o que vai acontecendo em paralelo torna esse acontecimento memorável dentro das obras de fantasia pelo fato de ser impossível determinar quem sairá vencedor até o último instante.

A conclusão da trilogia conserva o tom sombrio que a obra vinha sustentando desde O Poder da Espada. Então, ela termina em um ponto que permite subentender como será a vida dos personagens dali em diante e isso deixa um gosto agridoce na boca do leitor, pois lamentamos o destino de alguns deles.

Além de ser uma grande aula sobre como escrever uma história de qualidade, A Primeira Lei mostra que a linha que separa os bons dos maus e os finais felizes dos tristes é quase inexistente. O Duelo dos Reis deixa isso muito claro e encerra essa trilogia que já se tornou uma de minhas favoritas dentro da literatura fantástica e que coloca Joe Abercrombie como um dos melhores autores de fantasia da atualidade.

Adicione este livro à sua biblioteca!

Conheça os outros volumes da trilogia A Primeira Lei:

Conteúdo relacionado:

Sobre Mozer Dias

Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.