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O Dragão do Norte: Crônicas da Rainha Amazona | [Áudio] Resenha

O Dragão do Norte: Crônicas da Rainha Amazona | [Áudio] Resenha

Nossa resenha sobre O Dragão do Norte é a primeira do Leituraverso disponível em formato de áudio. Para ouvir, clique no player abaixo ou então faça o download(basta clicar com o botão direito do mouse na palavra download e escolher a opção salvar link como). Caso prefira ler o texto, abaixo temos a transcrição da resenha.

Disponível também no Spotify

 

o dragão do norte engrenagens

O Dragão do Norte: Crônicas da Rainha Amazona, do escritor Rodrigo Espírito Santo, foi minha primeira experiência com audiobooks. E eu pude perceber que esse formato de leitura não deixa nada a desejar se comparado com as formas convencionais. Na verdade, para uma obra de fantasia, como é o caso, a imersão na história é muito maior.

A trama se passa no reino de Vera Cruz, um Brasil de uma realidade alternativa onde monstros e seres mitológicos são reais e fazem parte do cotidiano da população. É nesse mundo que encontramos Lumi, uma jovem artesã que precisa ajudar seu irmão cavaleiro em uma missão suicida: matar o Dragão do Norte, uma criatura pandoriana que está prestes a destruir o reino. Mas para concluírem essa tarefa, os dois vão enfrentar situações complicadas e perigosas, repletas de intrigas, traições e morte.

Além de ser uma terra fantástica, o cenário criado por Rodrigo também se utiliza de elementos steampunk para ambientar a história. Esse subgênero literário se sustenta na tecnologia de máquinas movidas a vapor e muitas engrenagens, só que nesse primeiro volume isso fica em segundo plano. Pois como o próprio autor comenta em sua participação no podcast Novos Autores, esse contexto tecnológico ainda está sendo introduzido. Contudo, podemos ver esse mesmo ambiente na obra de Enéias Tavares: A Lição de Anatomia do Temível Dr. Louison. Por mais que os dois livros tenham abordagens diferentes, ambos compartilham dessa característica em comum que cria uma atmosfera única.

Mas como eu disse, a veia do steampunk ainda está sendo desenvolvida. O foco da narrativa é a trajetória de Lumi. Como se não bastasse passar por diversos momentos de perigo, a menina de apenas 16 anos ainda precisa lidar com o comportamento do grosseiro do irmão, que muitas vezes é arrogante e machista. Mesmo assim, ela está determinada a ajudá-lo, porque prometeu isso ao pai e sabe que é o cérebro da dupla.

Mesmo com uma protagonista adolescente e uma temática direcionada ao público jovem, a narração não faz cerimônia na hora de descrever as cenas batalha e morte. A violência fica de acordo com a proposta da trama, sem suavizar as consequências de se lutar contra seres monstruosos e indivíduos gananciosos.

Esse detalhe faz toda a diferença para a experiência de se ouvir a narração ao invés de ler. O audiobook tem um poder de imersão muito grande, que te transporta para dentro da história. E os recursos de trilha e efeitos sonoros que o autor/narrador utiliza para cada uma das passagens, deixam tudo ainda melhor e mais emocionante.

Nós podemos traçar vários paralelos entre O Dragão do Norte e a nossa realidade. Por mais que na ficção tenhamos criaturas sobrenaturais assustadoras, muitos dos obstáculos que nossa heroína enfrenta são comuns a muitas pessoas hoje em dia, especialmente às mulheres. Assim, é de se esperar que as continuações dessa aventura se mantenham explorando esse lado mais humano enquanto os ingredientes fantásticos e fantasiosos vão se desenvolvendo.

Então, se você quer experimentar uma nova maneira de mergulhar em uma história e se sentir envolvido por aquele mundo, ouvir o audiobook do Dragão do Norte, ou até mesmo ler a versão digital ou impressa, vai te proporcionar isso muito bem, com boas doses de ação, aventura e emoção.

Adicione este livro à sua biblioteca!

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.