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Guerra do Velho – John Scalzi | Resenha

Guerra do Velho – John Scalzi | Resenha

A boa e velha ficção científica ainda faz sucesso na literatura mundial. E não são apenas os autores clássicos que continuam se destacando. Novos nomes dentro do gênero estão chamando a atenção por manter a fórmula admirada pelos fãs ao mesmo tempo em que acrescentam alguns ingredientes originais. Esse é o caso do escritor John Scalzi, autor de Guerra do Velho, obra que lhe rendeu uma indicação ao Prêmio Hugo de Melhor Romance em 2006.

Depois que a humanidade alcançou a tecnologia para realizar viagens interestelares, a disputa para conquistar outros planetas teve início. Mas graças ao grande número de espécies alienígenas rivais participando dessa disputa, a Terra necessita das Forças Coloniais de Defesa, uma organização militar com equipamentos e pessoal especializado para defender e se apoderar de novos mundos. Porém, para se alistar nas FCD é preciso ter 75 anos. John Perry decide aceitar esse desafio, mesmo sem ter ideia do que o aguarda do outro lado do universo.

Guerra do Velho tem todos os elementos característicos de romances de ficção científica clássicos: teorias e conceitos físicos de viagem espacial, guerras contra diversos tipos de extraterrestres e muitos aparatos tecnológicos de última geração. Aliado a isso, o autor cria um novo contexto onde pessoas idosas são recrutadas para constituir as forças militares humanas. Assim fica a curiosidade sobre como um grupo de velhinhos vai poder lutar contra ameaças tão perigosas.

A trama é narrada pelo próprio protagonista. Mesmo sendo um senhor de 75 anos, John Perry mantém o senso de humor afiado e sarcástico, o que ajuda muito para que os leitores se envolvam com a história. A experiência de vida de John também faz com que ele seja um homem sábio e reflita sobre as coisas que estão acontecendo à sua volta.

A primeira metade do livro serve para nos apresentar ao novo cenário no qual os personagens se encontram. Dessa forma, nós vamos conhecendo a estrutura das Forças Coloniais, sua hierarquia e o alcance do seu poder. Daí em diante, o relato passa a focar mais nas batalhas e nos tipos de alienígenas que os soldados têm que enfrentar, cada um com sua peculiaridade.

Uma das coisas que podemos perceber é que os humanos nem sempre são as vítimas da situação. Muitas vezes, as FCD se valem de sua superioridade bélica para atacar raças inferiores e dominar seus territórios. É um ataque cruel e implacável que não dá chances para o inimigo se reerguer, mas tudo é feito alegando o bem-estar da humanidade. E mesmo que seja na ficção, não é difícil estabelecer paralelos com a forma como algumas nações agem na realidade.

O ponto negativo da obra é a sua conclusão, que encerra de maneira frustrante depois de todos os acontecimentos. Por mais que esse seja apenas o primeiro de uma série de seis volumes, o autor poderia ter criado um gatilho que motivasse os leitores a procurar os próximos livros. Sem isso, o romance fica parecendo apenas um volume único, conclusivo, mas que poderia ter terminado melhor.

Mesmo assim, os elogios feitos a Guerra do Velho são merecidos, pois John Scalzi consegue despertar uma sensação nostálgica nos amantes da ficção cientifica que reconhecem os elementos clássicos que consagraram esse gênero. Só isso já faz com que a leitura valha a pena e, caso você sinta vontade de se aventurar pelo restante da série, poderá descobrir mais sobre esse universo.

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.