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As Cavernas de Aço (Série dos Robôs livro 1) | Resenha

As Cavernas de Aço (Série dos Robôs livro 1) | Resenha

Quando falamos no nome de Isaac Asimov, a primeira coisa que nos vem à cabeça é sua contribuição inestimável para a ficção científica na literatura. Porém, o autor defendia que esse gênero poderia se encaixar dentro de qualquer outro. Para provar isso, ele escreveu o primeiro volume da Série dos Robôs: As Cavernas de Aço, um misto de romance policial e sci-fi.

A trama se passa na cidade futurística de Nova York, onde conhecemos o detetive Elijah Baley, o qual é designado para investigar o assassinato de um embaixador dos Mundos Siderais. Os interesses políticos e interplanetários envolvidos já são suficientes para pressionar o investigador a solucionar o caso rapidamente, mas tudo fica pior quando ele conhece seu novo parceiro: o robô Daneel Olivaw. Agora, Elijah precisa provar que é eficaz se quiser manter o seu emprego e impedir uma crise de grandes proporções na Terra.

É muito fácil distinguir os elementos de mistério e de ficção científica que se misturam para formar essa história: de um lado temos um assassinato aparentemente inexplicável que desafia a compreensão do detetive; do outro, um ajudante robô muito sofisticado. Tudo isso ambientado em uma cidade moderna com muita tecnologia disponível, mas que não fornece a qualidade de vida que seria desejável por seus moradores.

Os aglomerados urbanos passaram a ser chamados apenas de Cidades e foram projetados para funcionar com eficiência máxima devido à superpopulação. Entretanto isso cria uma vida controlada, onde os habitantes devem seguir rigorosamente horários para se alimentar e manter a rotina diária. Nesse cenário, a maioria das pessoas é contra o uso de robôs, chegando a ser radicais na sua oposição. Fazendo contraponto há os Mundos Exteriores que foram colonizados por humanos, mas sua população é baixa e controlada. Lá, a sociedade vive em conjunto com robôs de todos os tipos. Esse contraste entre uma cultura e outra cria muita hostilidade entre os Siderais e os terráqueos.

É curioso notar que a trama foca no relacionamento entre humanos e robôs, porém não apresenta nenhum personagem humano carismático. O próprio Baley é um sujeito mal-humorado que não desperta muita simpatia. Por outro lado, o que torna o livro cativante é a forma como os robôs são concebidos em função das Três Leis da Robótica e como isso afeta seu comportamento. Podemos ver essa mesma dinâmica nos nove contos presentes em Eu, Robô.

Quem conhece o trabalho de Asimov com mais detalhes sabe que ele fez ajustes na cronologia de suas obras para integrarem o mesmo universo. Dessa forma, a narrativa de As Cavernas de Aço ocorre muito antes da formação do Império Galáctico e do que é mostrado na Trilogia da Fundação. Mesmo assim, já conseguimos ver que a humanidade já deu os primeiros passos na colonização de outros mundos.

Por fim, a conclusão do livro surpreende pela forma como as coisas de fato aconteceram e o que é feito a partir dali. O encerramento é brusco, mas provoca reflexão nos leitores ao mesmo tempo que dá margem para os próximos volumes da Série dos Robôs.

As Cavernas de Aço vai agradar tanto os amantes de ficção científica quanto os apaixonados por romances policiais com elementos clássicos. A obra mostra a versatilidade de Isaac Asimov de escrever gêneros variados e comprova sua teoria de que eles podem complementar um ao outro.

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Sobre Mozer Dias

Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.