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Resenha | Absolutos – Sinfonia da Destruição (volume 1)

Resenha | Absolutos – Sinfonia da Destruição (volume 1)

A fantasia e a ficção científica marcaram – e ainda marcam – gerações pelo mundo afora. Na Literatura, a combinação desses dois gêneros resultou na Sinfonia da Destruição. Mas calma! Apesar do nome agourento, este é o título do primeiro volume da Trilogia Absolutos, do escritor Rodolfo Salles, publicado pelo selo A Taverna.

Estamos na era da exploração universal e conhecemos Érico, um hacker de 19 anos que sonha em viajar pelo espaço como um Caçador de Relíquias a procura de tesouros antigos. Contudo, o rapaz descobre que as tatuagens que possui pelo corpo desde a infância revelam um fato terrível: ele é um Absoluto, um ser com poderes inimagináveis que surge de tempos em tempos para trazer o caos ao Universo. Inconformado, Érico deixa seu lar e seus irmãos adotivos e parte em busca de um Desbravador, uma entidade capaz de apagar as tatuagens e, assim, alterar seu Destino. Na jornada, o jovem encontrará inimigos e aliados, além de descobrir os segredos de sua verdadeira família enquanto foge do legado de destruição.

O símbolo dos Absolutos

Sabe aquela nostalgia que você sente quando vê (lê, nesse caso) uma coisa que te remete a uma lembrança boa? Essa é a sensação causada logo no começo da leitura, graças à ambientação criada. Para os amantes dos clássicos, fica difícil não lembrar das séries e filmes de aventuras espaciais como Star Wars, Star Trek ou Doctor Who, por exemplo. Outros podem se lembrar, ainda, da série Blindspot, cuja protagonista também tem seu corpo tatuado de forma inexplicável e cada um dos símbolos e imagens que carrega trazem uma mensagem oculta para o FBI. Até mesmo os Guardiões da Galáxia podem ser associados, especialmente na formação dos times com integrantes de espécies distintas.

Mas as semelhanças ficam por aí. Depois dessas referências e associações que podemos fazer, a narrativa prossegue nos apresentando um cenário novo e complexo. O autor criou toda uma base para o Universo, com elementos fantásticos, históricos e científicos que explicam desde a descoberta de novos planetas até os maiores avanços tecnológicos nas quatro ciências existentes na trama. Aqui, a união entre homem e máquina ficou ainda mais íntima e a prova disso é que quase todos os humanos têm um ID, um tipo de computador embutido em seus corpos que lhes dão habilidades extras.

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A parte curiosa é que todos esses ingredientes se misturam para contar a trajetória do possível vilão, aquele que está destinado a trazer a ruína consigo. É bem verdade que o Érico está lutando contra isso, mas ficaremos com dúvidas sobre o seu sucesso (ou fracasso) até a conclusão da saga, pois as reviravoltas são grandes. E elas não se limitam somente ao protagonista. Os demais personagens possuem diversas camadas que fazem com que não tenhamos certeza sobre o seu posicionamento com relação aos acontecimentos.

Entretanto, independente disso, a maioria possui grande carisma mesmo com personalidades tão diferentes e conflitantes: Alopex é uma ánima de cabeça quente; Camilo, um habilidoso piloto humano; Darwin, uma tharina sarcástica que consegue se teletransportar através de portais; Vexel e Miro, que surpreendentemente ganham importância ao longo da narração, são os irmãos adotivos de Érico; e Hathor é o misterioso tenente cego da Corporação Légis, uma espécie de polícia universal.

Alguns dos personagens: Érico, Darwin, Camilo e Alopex

Em meio a referências, nostalgias e associações, Absolutos – Sinfonia da Destruição consegue se destacar por ser original valendo-se de elementos já consagrados. Rodolfo Salles reúne o melhor da fantasia e da ficção científica para criar, nas suas próprias palavras, uma Ficção Fantástica que agrega – e muito – na Literatura Nacional como um todo.

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.