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Tudo Bem no Natal que Vem (2020) | Crítica sem spoiler

Tudo Bem no Natal que Vem (2020) | Crítica sem spoiler

Com a chegada do fim de ano começam os preparativos de sempre: comprar o peru da ceia, descongelar o Roberto Carlos para o especial e lançar uma penca de filmes natalinos. Então por que falar de algo que acontece todo ano como um ponto fixo no espaço-tempo? É porque, no caso de Tudo Bem no Natal que Vem, o filme satiriza justamente essa mesmice de todo o natal com boas doses de comédia e emoção.

Na obra original da Netflix, conhecemos Jorge (Leandro Hassum), um homem que odeia o Natal e todas as comemorações que a data envolve. Na véspera natalina de 2010, ele sofre um acidente doméstico e bate com a cabeça. Ao acordar, Jorge descobre que já é a véspera do Natal de 2011 e que ele não se lembra de nada do que aconteceu no último ano. Assim, ele continua despertando todo dia 24 de dezembro sem nenhuma outra lembrança dos anos que passaram.

tudo bem no natal que vem jorge

Ok, essa não é uma premissa muito original ou revolucionária. Já vimos algo parecido na comédia romântica Como Se Fosse A Primeira Vez e também no thriller Antes de Dormir, do escritor S. J. Watson. Contudo, pegar essa ideia e contextualizar com o clima natalino sob o ponto de vista de um personagem que odeia o Natal é o que dá graça à coisa.

O humor de Tudo Bem no Natal que Vem é leve e descontraído, sem precisar de piadas apelativas ou de mau gosto. É impossível não se identificar com pelo menos alguns dos episódios que sempre ocorrem durante as confraternizações, seja aquele parente mala, as mesmas conversas de todo ano e até mesmo as brigas. São coisas pelas quais toda família “normal” passa e quando percebemos que isso acontece com quase todo mundo, conseguimos ver o lado cômico da situação.

tudo bem no natal que vem cena da briga

Mas o que realmente surpreende nesse filme é que ele possui uma carga dramática que o deixa além de uma simples comédia. O roteiro de Paulo Cursino equilibra bem as cenas engraçadas e momentos emocionantes durante a produção sem que um destoe do outro. Isso rende até mesmo destaque para a atuação de Leandro Hassum em uma cena particularmente comovente.

tudo bem no natal que vem jorge e aninha

Da mesma forma que nos identificamos com os acontecimentos hilários, também ficamos pensativos sobre nossa vida em outros aspectos depois de assistir ao longa. Quantas oportunidades de ficarmos ao lado de pessoas que amamos nós desperdiçamos só por não gostarmos de uma data ou de um evento? Às vezes só encaramos essas circunstâncias sob uma perspectiva errada e deixamos de aproveitar as coisas que realmente importam.

Tudo Bem no Natal que Vem irá te fazer rir, talvez chorar e quem sabe até reconsiderar algumas coisas (inclusive o especial do Roberto Carlos, mas eu entendo se isso não rolar; pode ser demais para alguns). De qualquer modo, você verá situações que são frequentemente monótonas e entediantes de um jeito bem mais divertido e emocionante.

Ficha técnica:

  • Data de lançamento: 3 de dezembro de 2020
  • Duração: 1h41min
  • Gênero: comédia
  • Direção: Roberto Santucci
  • Roteiro: Paulo Cursino
  • Elenco: Leandro Hassum (Jorge), Elisa Pinheiro (Laura), Danielle Winits (Márcia), Arianne Botelho (Aninha), Miguel Rômulo (Leo), entre outros

Trailer:

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Sobre Mozer Dias

Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.