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Cinema | Seven – Os Sete Crimes Capitais | Crítica SEM SPOILERS

Cinema | Seven – Os Sete Crimes Capitais | Crítica SEM SPOILERS

Alguns filmes são tão impactantes que a sua influência perdura mesmo após décadas do seu lançamento. Isso vale para Seven — Os Sete Crimes Capitais (1995). Com roteiro de Andrew Kevin Walker e direção de David Fincher, até hoje a produção serve de inspiração para diversas obras sobre psicopatas e assassinos em série seja no cinema, na TV ou na literatura.

A trama apresenta dois policiais com personalidades bem distintas: o jovem David Mills (Brad Pitt), recém-chegado na cidade, e o experiente William Somerset (Morgan Freeman), prestes a se aposentar. Juntos, os detetives precisam solucionar uma série de assassinatos macabros que se baseiam nos sete pecados capitais.

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Mesmo sendo uma película de 1995, Seven ainda é lembrado e referenciado em obras de vários segmentos. Além das produções de muitos diretores e roteiristas sobre crimes seriais, o próprio David Fincher se tornou conhecido por seus trabalhos do gênero thriller, inclusive a série Mindhunter da Netflix. Na literatura nacional, podemos citar a fantasia Deuses Caídos, de Gabriel Tennyson, o qual já comentou que utilizou elementos do longa em seu livro.

Uma temática como essa naturalmente resulta em um filme pesado e violento, tanto que alguns atores se recusaram a participar projeto. Ainda assim podemos perceber que a violência apresentada não vai além do necessário para causar impacto nos espectadores, sem chegar a ser algo apelativo ou gratuito. Uma característica que comprova isso é o fato de que não há cenas que mostrem os assassinatos sendo cometidos, apenas a cena do crime depois do atentado.

seven os sete crimes capitais soberba

Para completar a atmosfera carregada de Seven, temos a combinação entre trilha sonora e ambientação. A música do compositor Howard Shore embala as sequências de investigação e perseguição, potencializando o suspense. Já a cidade fictícia na qual se passa a história tem um clima sombrio e sujo que oprime qualquer um que tente levar uma vida honesta e pacífica.

O único que não parece se sentir assim por causa do ambiente ao redor é David. Na verdade, ele aparenta ter o desejo de transformar o lugar onde vive, ou então fazer o máximo que estiver ao seu alcance para isso. Tal postura mostra certa ingenuidade do investigador mais novo, o que gera conflito com a atitude pessimista de Somerset. Nessa oposição de ideias, fica o destaque para os diálogos dos personagens e as atuações de Brad Pitt e Morgan Freeman.

Porém, quem realmente se sobressai no quesito atuação é o vilão. Na época do lançamento do filme, o nome do ator foi omitido de qualquer material de divulgação para aumentar a surpresa do público, então a identidade dele será ocultada aqui também para preservar essa ideia, por mais que já tenha se passado muito tempo desde então. De qualquer forma, sua interpretação é memorável e podemos ver algo semelhante com o desempenho de James McAvoy em Fragmentado (2016), por mais que os personagens sejam diferentes.

Acompanhando o desenvolvimento, o desfecho da produção não poderia deixar de ser igualmente chocante. Os produtores ainda pensaram em finais alternativos mais leves, pois os executivos se opuseram àquele que foi gravado; mas uma das condições impostas por Brad Pitt para promover o longa-metragem era manter a conclusão que chegou aos cinemas.

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A ousadia que Seven — Os Sete Crimes Capitais ostenta desde a sua concepção até sua execução mostra o porquê dessa obra ser tão influente até hoje. A combinação de roteiro, direção e elenco resultou em um thriller imprevisível que provoca seus espectadores e faz com que eles pensem fora da caixa (e no que está dentro dela também).

Ficha técnica:

  • Data de lançamento: 15 de dezembro de 1995 (Brasil)
  • Duração: 2h06min
  • Gênero: suspense, thriller, policial
  • Direção: David Fincher
  • Roteiro: Andrew Kevin Walker
  • Elenco: Brad Pitt (David Mills), Morgan Freeman (William Somerset), Gwyneth Paltrow (Tracy Mills), entre outros

Assista ao trailer:

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.