Capa » Cinema » Ação » Power (Project Power) | Crítica SEM SPOILERS
Power (Project Power) | Crítica SEM SPOILERS

Power (Project Power) | Crítica SEM SPOILERS

Os filmes de super-heróis estão aí aos montes, mas sempre tem espaço para uma abordagem diferente da mesma história. E quem está se aventurando nas diversas possibilidades desse universo agora é a Netflix com Power. Mas infelizmente o filme não consegue entregar uma trama coesa, por mais que a proposta inicial seja criativa.

A produção começa com a chegada Biggie (Rodrigo Santoro) em Nova Orleans trazendo uma droga conhecida como Power. Ele encarrega os traficantes locais de espalharem a novidade pela cidade e, algumas semanas depois, começam a surgir casos de pessoas com superpoderes temporários. Uma das traficantes é a adolescente Robin (Dominique Fishback), que vende a substância para comprar os remédios da mãe. A garota tem apoio do policial Frank Shaver (Joseph Gordon-Levitt), que usa a droga para poder enfrentar usuários criminosos de igual para igual. O caminho deles se cruza com Art Reilly (Jamie Foxx), um ex-soldado que está atrás do criador da Power para descobrir o paradeiro da filha sequestrada.

power netflix art e robin

Depois de mais de 12 anos de Marvel no cinema, dos primeiros filmes do Universo DC e séries impactantes como The Boys, falar sobre super-heróis não é nada surpreendente. A criatividade da obra da Netflix está no fato de que as pílulas de Power fornecem habilidades aleatórias que duram apenas 5 minutos. Os usuários não sabem que tipo de poderes irão conseguir ou mesmo se acorrerá um efeito adverso até engolirem a cápsula. O grande problema é o encadeamento das ideias que o roteiro apresenta. A relação entre Art e Robin começa com o velho clichê da hostilidade que se transforma em parceria e amizade. Mas a transição de um estágio para outro é tão repentina que não convence os espectadores. O argumento para aproximar os dois é a procura de Art pela filha desaparecida, mas isso é utilizado de forma muito superficial.

Mas ainda que apressada, a relação dos dois tem bons momentos, principalmente o diálogo onde Art abre os olhos de Robin sobre o verdadeiro poder que ela possui, que é a capacidade de se expressar através do rap. Isso mostra outras formas de poder que pessoas comuns podem ter e acaba se tornando uma mensagem aproveitável dentro da narrativa.

Um personagem que teve seu potencial desperdiçado foi o policial Frank. A impressão que as primeiras cenas com ele passam é a de que ele terá papel de destaque, especialmente na discussão sobre utilizar as mesmas armas que seus inimigos para equilibrar a disputa de poderes. Porém ele é jogado para segundo plano e o roteiro opta por focar na interação forçada entre os personagens de Jamie Foxx e Dominique Fishback.

power netflix frank

Power também conta com a participação de Rodrigo Santoro no elenco. O traficante que ele interpreta é aquele típico vilão de filmes de heróis cuja caracterização e personalidade ficaram bem adequadas com o contexto. É graças a ele que uma das melhores cenas de ação do longa acontece dividindo a atenção do espectador entre o primeiro plano e o que acontece no fundo.

power netflix rodrigo santoro

No geral a nova aposta da Netflix tem boas ideias, mas elas não funcionam bem entre si. Os roteiristas optaram por soluções convenientes e apressadas quando poderiam explorar a infinidade de possibilidades que o argumento inicial fornecia. Mesmo assim, há grandes chances de que uma sequência seja produzida, então nada impede que esses erros sejam corrigidos futuramente.

Ficha técnica:

  • Data de lançamento: 14 de agosto de 2020
  • Duração: 1h51min
  • Gênero: ação, filme de super-heróis
  • Direção:  Ariel Schulman e Henry Joost
  • Roteiro: Mattson Tomlin
  • Elenco: Jamie Foxx (Art Reilly), Joseph Gordon-Levitt (Frank Shaver), Dominique Fishback (Robin), Rodrigo Santoro (Biggie), entre outros.

Assista ao trailer:

Leia mais sobre super-heróis no Leituraverso

 

Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.