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El Camino – A Breaking Bad Movie (2019) | Crítica SEM SPOILERS

El Camino – A Breaking Bad Movie (2019) | Crítica SEM SPOILERS

A aclamada série Breaking Bad concluiu a jornada de seu protagonista em 2013 e, desde então, deixou uma legião de fãs com saudades de sua trama inteligente e instigante. Agora, depois de muitas especulações e boatos, finalmente chega na Netflix El Camino – A Breaking Bad Movie com a missão de honrar um personagem muito importante: Jesse Pinkman.

O longa dirigido e roteirizado por Vince Gilligan retoma a história a partir do último episódio de Breaking Bad, Felina (S05E16), no qual Jesse Pinkman (Aaron Paul), dirigindo um Chevrolet El Camino, consegue fugir do cativeiro no qual era mantido refém. A partir daí, ele precisa escapar das autoridades e descobrir uma forma de recomeçar a sua vida. Para isso, ele se vê obrigado a revisitar alguns lugares e a reencontrar velhos conhecidos.

el camino jesse pinkman

Uma coisa importante que os admiradores de Breaking Bad precisam ter em mente antes de assistir ao filme é que o objetivo da produção é dar um final digno a Jesse. De todos os personagens centrais, ele foi o único cujo futuro permaneceu incerto. Sendo assim, Walter White (Bryan Cranston) não é o centro das atenções, por mais que apareça em algumas lembranças. Sequer a família do ex-professor aparece, visto que o destino dela ficou claro na conclusão da série. A vontade de reencontrar essas figuras é compreensível, mas assistir à obra com a expectativa de que isso aconteça pode estragar a experiência.

Na prática, El Camino funciona como um episódio estendido (com duas horas de duração) para explorar as marcas que a trajetória ao lado de Walter deixou em Pinkman. Ainda que levasse uma vida de delitos, Jesse sempre foi contra o uso da violência e, mesmo após todo o sofrimento pelo qual passou, percebemos que isso se mantém em sua personalidade, deixando-o inseguro e até submisso perante algumas situações.

Essa característica pessoal é embasada através de flashbacks de alguns acontecimentos da série ou então de momentos traumáticos que Jesse passou no cativeiro. Todd (Jesse Plemons) é um personagem que recebe bastante destaque e podemos ver o quanto sua crueldade – encoberta por um tom gentil de falar – teve impacto sobre Pinkman. A insegurança gerada por seu carcereiro vai sendo explorada até que o rapaz precise tomar uma decisão para conseguir seguir em frente.

Em meio a recordações e referências, vamos reencontrando muitos rostos conhecidos. Um deles é o do ator Robert Foster, que infelizmente faleceu no dia em que o filme estreou (11/10). Ele e Aaron Paul nos presenteiam com grandes atuações, repletas de diálogos tensos. A carga dramática que ambos conseguem transmitir enriquece a produção de maneira única.

el camino robert foster e aaron paul

Determinadas cenas poderiam ter sido deixadas de fora pois, apesar de acrescentarem mais uma camada no psicológico do protagonista, quebram o ritmo da trama e atrasam fatos realmente relevantes.

De qualquer forma, para os fãs de Breaking Bad e, especialmente, de Jesse Pinkman, El Camino é uma obra que consegue manter o mesmo nível de qualidade que a série sustentou ao longo de suas cinco temporadas e ainda faz justiça a um personagem muito querido pela maioria dos espectadores.

Ficha técnica:

  • Data de lançamento: 11 de outubro de 2019
  • Duração: 2h02min
  • Gênero: drama, suspense
  • Direção e roteiro: Vince Gilligan
  • Elenco: Aaron Paul, Jesse Plemons, Robert Foster, Bryan Cranston, entre outros

Assista ao trailer:

Leia nossa crítica sem spoilers de Breaking Bad (2008-2013)

Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.