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Cinema | Vidro (Glass) – 2019 | Crítica

Cinema | Vidro (Glass) – 2019 | Crítica

A essa altura do campeonato, não é mais spoiler dizer que Vidro é a convergência de Corpo Fechado (2001) e Fragmentado (2017). A última parte dessa trilogia criada e dirigida por M. Night Shyamalan chega aos cinemas depois de 18 anos para concluir a trajetória de pessoas extraordinárias e complexas.

Reencontramos Kevin (James McAvoy) e suas outras 23 personalidades raptando garotas para saciar a fome da Besta. Porém, o vigilante David Dunn (Bruce Willis) está determinado a impedi-lo. Só que ambos não sabem que Elijah Price (Samuel L. Jackson) também está por perto e tramando seus próprios planos, que inevitavelmente colocarão os protagonistas em rota de colisão.

A junção que Vidro faz das duas produções anteriores é bem-sucedida se considerarmos que respeita a ordem cronológica e mantém a continuidade da história sem parecer que essa união foi forçada. Inclusive outros integrantes do elenco original de Corpo Fechado estão presentes depois de todos esses anos: Spencer Treat Clark, que interpreta Joseph Dunn, filho de David, e Charlayne Woodard, a mãe de Elijah.

A influência do filme de 2001 é tão forte que novamente a trama se baseia na homenagem às histórias em quadrinhos e em como elas regem a jornada dos personagens. Elijah Price, o Senhor Vidro, é quem dá o título da película pois a todo momento somos apresentados à sua visão dos fatos, sob a ótica de que as HQs são inspiradas em heróis e vilões que de fato existem e possuem seu papel no mundo. Por outro lado, a premissa “você é quem acredita ser”, presente em Fragmentado, é posta à prova, principalmente pela Dra. Ellie Staple (Sarah Paulson), a qual tenta compreender cada um deles e suas motivações.

Algo que novamente é digno de nota é a atuação de James McAvoy. A intensidade da interpretação de Kevin e suas diferentes personalidades está muito maior diante do stress psicológico ao qual o personagem é submetido. A transição entre uma faceta e outra é o que chama mais atenção pela forma perturbadora e fluida como é executada.

Entretanto, a produção também tem seus problemas. Um deles é o mau aproveitamento dos personagens secundários, tanto da mãe de Elijah quanto do filho de David, mas especialmente de Casey (Anya Taylor-Joy). Desde Fragmentado ela tinha tanta carga emocional e profundidade que merecia mais destaque em Vidro, com potencial para ser uma figura decisiva dentro da trama; contudo isso não é feito.

Outro ponto negativo, o maior deles na verdade, são as reviravoltas no desfecho. Essas viradas de roteiro são o ponto forte dos filmes de Shyamalan, mas elas correm o risco de darem errado. Não é este o caso aqui, mas de qualquer forma não é algo que chega a impressionar, pelo simples fato de não ter sido devidamente estruturada ao longo da narrativa.

Mesmo assim, Vidro cumpre seu papel de encerrar o universo estendido que começou lá em 2001. Ainda que a conclusão possa não agradar a todos, ela condiz com o rumo que as coisas tomaram e não diminui o toque característico de suspense e terror psicológico que marca as obras do seu criador.

Ficha técnica:

  • Data de lançamento: 17 de janeiro de 2019
  • Duração: 2h09min
  • Gênero: suspense, thriller psicológico, ação
  • Direção: M. Night Shyamalan
  • Elenco: Bruce Willis (David Dunn), James McAvoy (Kevin e companhia), Samuel L. Jackson (Elijah Price), Anya Taylor-Joy (Casey), Spencer Treat Clark (Joseph Dunn), Charlayne Woodard (Mãe do Elijah) e Sarah Paulson (Dra. Ellie Staple).

Assista ao trailer:

Leia a nossa crítica de Corpo Fechado

E também a crítica de Fragmentado

Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.