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Cinema | Batman (1989) | Crítica

Cinema | Batman (1989) | Crítica

Quando revisitamos a versão do Batman dirigida por Tim Burton, a primeira coisa que vem à mente é a atuação icônica de Jack Nicholson como Coringa. Em segundo lugar, ficam as qualidades técnicas do filme e um roteiro que ousou ao contar a origem do principal vigilante de Gotham City. Essas são algumas das qualidades desse filme marcante que contribuiu de forma significativa tanto na extensa filmografia do herói como na evolução das adaptações de quadrinhos como um todo.

Após testemunhar a morte brutal de seus pais quando criança, o milionário e filantropo Bruce Wayne (Michael Keaton) resolveu lutar contra o crime na cidade de Gotham City disfarçado de Batman. Responsável por colocar medo nos corações dos bandidos, ele se torna uma lenda urbana. No entanto, tudo muda quando um louco e deformado que se apresenta como O Coringa começa a controlar o submundo do crime na cidade se tornando um grande desafio para o herói.

A premissa simples desse filme deixa claro que se trata de uma história de origem, o que é importante considerando o período em que foi exibido. Nos anos 80, filmes de super-heróis não eram tão comuns como hoje em dia e, portanto, cabia ao cinema não só apresentá-los para um público maior como também adaptar as suas histórias.

Coube ao cineasta Tim Burton esse desafio em uma época quando era conhecido por filmes como Os Fantasmas se Divertem (1988) e outras produções para a TV. Este detalhe é importante de se observar quando lembramos que foi em Batman que o diretor mostrou algumas características que marcaram a sua filmografia anos depois em filmes como Edward Mãos de Tesoura (1990), Ed Wood (1994), A Noiva Cadáver (2005), entre outros.

Um exemplo disso pode ser encontrado na forma como Gotham City é retratada: sempre sombria e caótica. O uso de sombras, principalmente em cenas que antecedem a chegada do Batman, deixam bem claro que estamos vendo um ser que não só é parte da cidade como também da escuridão que é inerente a ela. Isso não é tudo, já que temos nesses momentos a épica trilha sonora composta por Danny Elfman que consegue realçar o tom de suspense e aventura do filme.  Por esse motivo, fica marcado na memória a música de abertura que por vários motivos pode ser considerada como definitiva e insuperável.

Infelizmente, essas qualidades técnicas acabam sendo ofuscadas pela péssima coreografia de cenas de luta que acabam ganhando um tom “pastelão” parecido com o do seriado estrelado por Adam West nos anos 60, faltando apenas o uso das onomatopeias. Como se isso não fosse o bastante, o trabalho do ator Michael Keaton seja como Bruce Wayne ou como Batman não dá toda seriedade que o personagem precisa em cena. Isso acontece porque você simplesmente não sente a presença dele, o que fica ainda mais gritante quando o Coringa aparece.

Para grande parte do público, a versão do Coringa de Heath Ledger que conhecemos em O Cavaleiro das Trevas é tida como definitiva. No entanto, especialmente para uma geração mais antiga, o mesmo personagem interpretado por Jack Nicholson consegue ser tão ou mais icônico. Isso ocorre porque o seu vilão é assustador e divertido de uma forma totalmente única. Quando entra em cena, ele cresce com sua presença forte e carismática. Na versão dublada, isso fica ainda mais acentuado graças ao belíssimo trabalho de Darcy Pedrosa que anos mais tarde viria a dublar novamente o personagem no desenho Batman: A Série Animada.

Um último detalhe importante sobre o vilão é como roteiro trabalha sua origem e desenvolvimento em paralelo com a do herói. Esse recurso cria uma dualidade interessante entre ambos. Isso ganha ainda mais sentido na batalha final, o que não pode ser detalhado por envolver um grande spoiler. Apenas fica o comentário de que essa decisão narrativa foi muito ousada, mesmo que tenha corrido um grande risco sendo algo que criou reações adversas no público.

Enfim, a versão do Batman de Tim Burton está longe de ser a melhor de todas. Tem seus defeitos e méritos, assim como todas as outras que vieram depois. Apesar disso, merece ser lembrada pela contribuição que deu para as adaptações de quadrinhos em um tempo em que isso ainda era uma novidade. Foram graças as qualidades deste filme, por exemplo, que foi plantada na indústria cinematográfica a ideia de que filmes de super-heróis era um campo interessante a ser explorado no futuro.

Ficha técnica:

  • Data de lançamento (no Brasil): 26 de outubro de 1989
  • Gênero: Ação
  • Elenco: Michael Keaton, Jack Nicholson, Kim Bassinger, Michael Gough, entre outros ;
  • Direção:  Tim Burton
  • Roteiro: Sam Hamm e Warren Skaaren

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Sobre Marcus Alencar

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Apresentador do Leituracast, Jornalista, blogueiro e um homem de diversas paixões. Amo quadrinhos, cinema e literatura, mas não necessariamente nessa ordem. Acima de tudo, amo a forma como esses meios de comunicação conseguem produzir obras capazes de nos tirar do lugar-comum e propiciar a reflexão. No caso dos livros, destaco toda a saga de Percy Jackson nas séries de livros do escritor Rick Riordan. Não sei se foi à identificação quase que imediata com o personagem central ou fato de sempre me interessar por mitologia grega, mas o importante é que esses livros despertaram de forma mágica meu interesse pela leitura assim como outras grandes obras já fizeram o mesmo comigo em outros períodos e de formas diferentes. Enfim, ler pra mim é uma viagem especial e mágica que sempre farei com muito prazer em qualquer época da minha vida