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Final Space – 2ª temporada (2019) | Crítica

Final Space – 2ª temporada (2019) | Crítica

Ano passado, Final Space estreou no catálogo da Netflix de maneira discreta e foi chamando a atenção devido a sua profundidade e criatividade. Agora, o programa produzido por Olan Rogers ganha sua segunda temporada, mantendo o mesmo ritmo frenético repleto de bom humor, drama e ação.

Após o último embate contra o Lord Commander na primeira temporada, Gary Goodspeed e seus amigos descobrem que o único jeito para chegarem ao Espaço Final e resgatarem Quinn é libertando Bolo, o titã capaz de abrir a passagem para a outra dimensão. Para libertá-lo, a equipe precisa localizar e reunir as cinco chaves dimensionais que estão espalhadas pelo Universo. Porém eles não são os únicos atrás delas e o fato de Mooncake estar sem seus poderes torna tudo mais complicado.

final space 2

Ao contrário do que havia acontecido antes, quando os episódios da season 1 seguiam uma ordem lógica de acontecimentos, a nova etapa de Final Space apresenta aventuras aparentemente aleatórias. Contudo, entre capítulos mais divertidos, onde uma desavença se resolve com um duelo de dança, e outros mais dramáticos que apresentam duas linhas temporais paralelas, os fatos vão se conectando até que chegamos ao clímax.

Nesse meio tempo, conhecemos algumas figuras novas que passam a integrar a turma de Gary e Mooncake, como Ash e Fox, cada um com suas peculiaridades e talentos. Os dois são filhos adotivos de Clarence, o qual já havia aparecido na primeira temporada, mas com uma participação tão pequena que é difícil lembrar dele. Dessa vez, no entanto, ele ganha papel de destaque, ora sendo engraçado, ora sendo odioso.

Os personagens mais antigos também ganham o devido desenvolvimento, principalmente Gary, que amadureceu bastante depois de enfrentar tantos perigos. Ele já vinha demonstrando ser alguém com mais profundidade do que aparentava, mas o confronto com algumas pessoas de seu passado contribui ainda mais para sua evolução. Isso acaba influenciando seu relacionamento com Gatito, que passou de uma simples amizade para algo mais paternal.

final space 2 gary e gatito

Outro integrante do grupo que chama a atenção é a inteligência artificial Hue, que agora possui um corpo físico. Suas limitações motoras e a frustração consequente delas resulta em uma personalidade cabisbaixa que em alguns momentos lembra o robô Marvin da série O Guia do Mochileiro das Galáxias.

Por mais que possua um tom um pouco diferente, essa temporada manteve o que a consagrou na anterior: o humor ácido, a qualidade impressionante da animação e os dramas pessoais. E outro ponto positivo é que o roteiro não deixou nenhum personagem cair no esquecimento total, resgatando alguns e honrando a memória de outros.

Nem por isso novos elementos deixaram de ser introduzidos, como mais detalhes sobre a origem de Mooncake e sua relação com o Espaço Final. E ainda mais importante que isso é a revelação sobre a existência de uma grande ameaça, mais perigosa do que o próprio Lord Commander ou qualquer outro inimigo conhecido.

Final Space continua sendo aquele programa surpreendente que você começa a assistir e não para. As doses certas de comédia, ação e drama se misturam da maneira exata para criar uma grande obra de ficção científica para nenhum amante do gênero por defeito. Resta agora aguardar a próxima temporada, já confirmada.

Leia nossa crítica da primeira temporada

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.