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Séries | Final Space – 1ª temporada | Crítica

Séries | Final Space – 1ª temporada | Crítica

Final Space estreou na Netflix em julho desse ano sem fazer muito estardalhaço. No primeiro momento, a série criada por Olan Rogers para a TBS parece apenas mais um besteirol sem grandes ambições. Entretanto, estamos diante de uma animação para adultos que mostra os dramas pessoais dos personagens enquanto eles tentam sobreviver no espaço.

No primeiro episódio conhecemos Gary, o único tripulante humano da nave Galaxy One. Logo em seguida descobrimos que, na verdade, o rapaz está cumprindo uma pena de cinco anos de reclusão após se envolver em uma confusão com Quinn, uma capitã da Guarda Infinita. Às vésperas de cumprir sua pena, Gary conhece Mooncake, um simpático alienígena verde que está sendo perseguido pelas forças do Lord Commander (originalmente dublado por David Tenntant, de Doctor Who). Juntos, eles embarcarão em uma jornada intergaláctica pela sobrevivência e para saberem mais a respeito do Espaço Final.

É uma coincidência que recentemente tenhamos publicado a resenha da ficção científica Absolutos – Sinfonia da Destruição e logo em seguida surge esse programa do mesmo gênero. Imediatamente notam-se as similaridades, incluindo a sucessão de fatos que acabam unindo o destino das pessoas e formando equipes que mais se parecem com uma família. Isto é o que acontece com Gary, Mooncake e seus outros aliados no decorrer da narrativa.

Nesse ponto é onde entra o grande atrativo de Final Space: ao invés de focar no humor pastelão com piadas obscenas e palavrões, a série investe nos dilemas individuais, como já vimos acontecer em Big Mouth, outra obra da Netflix. Essa característica é a responsável por classificá-la como uma animação para adultos já que, por trás das cenas coloridas, aliens fofinhos e momentos engraçados, temos personagens lutando pela própria vida ao mesmo tempo que enfrentam seus velhos fantasmas. O próprio Gary aparentemente é um fracassado, mas quando entendemos melhor o seu passado, vemos que ele é muito mais do que faz questão de aparentar para os outros. O mesmo acontece com o caçador de recompensas Avocato e sua relação com seu filho.

Como uma boa produção de space opera (subgênero da ficção científica) no estilo de Guardiões da Galáxia, temos muita ação, planetas exóticos e figuras excêntricas. E em meio a tantos acontecimentos e cenários grandiosos, ficamos vidrados torcendo pelo sucesso dos protagonistas, que nem sempre é obvio ou garantido em suas pequenas missões pela galáxia. Já a abertura de cada capítulo é outro recurso para aumentar nossa ansiedade: o anúncio de que algo terrível vai acontecer. Isso só nos deixa mais curiosos para saber o que é e como os personagens vão chegar até aquele instante.

O único ponto negativo de Final Space é ser curta demais, com apenas dez episódios, os quais assistimos um atrás do outro. O desfecho não é o esperado e deixa em aberto muitas questões, mas felizmente a segunda temporada já foi confirmada para 2019. Assim, se você é adulto e gosta de se divertir e se emocionar assistindo a desenhos com uma temática voltada para sua idade, essa é uma das melhores opções de 2018.

Assista ao trailer:

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.