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Séries | Doctor Who 11×1: The Woman Who Fell to Earth | Review

Séries | Doctor Who 11×1: The Woman Who Fell to Earth | Review

A 11ª temporada de Doctor Who começou e, com ela, nossa nova série de reviews dos episódios. Assim como no Leitura Who sobre a 10ª temporada, vamos soltar spoilers sobre o episódio, então leia por sua conta e risco

 

No último domingo, 7 de outubro, Doctor Who retornou cercado de ansiedade e especulações sobre o futuro do programa. Tudo isso porque a estreia da 11ª temporada marca o início de uma nova era. Não bastasse a saída de Peter Capaldi, o amado/odiado Steven Moffat também deixou o posto de showrunner. Quem ocupa seu lugar agora é Chris Chibnall. Mas as todas atenções estão voltadas mesmo é para a nova protagonista: Jodie Whittaker, a primeira mulher a interpretar o Doutor depois de 55 anos de série. E o primeiro fruto que essa novidade trouxe foi a audiência do episódio The Woman Who Fell to Earth, que ultrapassou as estreias de Matt Smith e Capaldi como Doctors.

A aventura começa logo depois do especial de natal Twice Upon a Time. Encontramos a Doutora literalmente caindo na Terra sem saber muito bem quem é devido ao processo de regeneração que ainda está em andamento. Mesmo assim, ela precisa desvendar a origem de dois aliens que surgem na cidade de Sheffield e qual o objetivo deles. Para isso, ela conta com a ajuda de um novo time: Ryan, um rapaz que não sabe andar de bicicleta devido à dispraxia (transtorno que afeta a coordenação motora em pessoas saudáveis); Grace, avó do garoto; o marido dela, o cético Graham, e Yasmin, uma jovem policial frustrada com o trabalho tedioso.

O elenco novo é apresentado adequadamente: logo nas primeiras cenas conhecemos a relação de Ryan (Tosin Cole) com Grace (Sharon D. Clarke) e Graham (Bradlay Walsh), ficando claro que o garoto não aprova o novo relacionamento da avó. Notamos também que ele tem inclinação para o pessimismo e lhe falta autoconfiança, algo que provavelmente ainda será explorado ao longo dos episódios. Yas (Mandip Gill), por outro lado, tem um espírito aventureiro dentro de si. Ela tem o mesmo perfil para ser uma companion que as outras já demonstraram anteriormente. Por último, vem a própria Doutora. Sua entrada não é das mais triunfais, mas não deixa de ser divertida por isso, além de nos dar várias dicas sobre sua personalidade.

Como sempre acontece quando o Doctor ganha uma cara nova, a regeneração é explicada rapidamente. Só que dessa vez é para justificar as mudanças que ainda estão acontecendo no novo corpo. Algo parecido ocorreu com o 10º Doutor (David Tennant) no especial The Christmas Invasion. Podemos ver, inclusive uma centelha da energia de regeneração saindo da boca dela, porém não sabemos para onde ela foi. E não seria absurdo apostar que ainda descobriremos.

Nessa fase de readaptação, as células ainda estão se ajustando e as memórias se conectando aos poucos, como um back-up para o cérebro que está processando as mudanças. Mas a reação da Doutora ao saber que é uma mulher é a melhor possível, pois garante de forma natural e espontânea que ela pode desempenhar bem o papel, derrubando qualquer contestação sem a necessidade de muitas explicações. Afinal, a série já vinha se preparando para isso.

Ainda é cedo para definir a personalidade da regeneração atual e impossível não compará-la com as anteriores. Entretanto a entrega de Jodie Whittaker é incrível, de modo que é difícil não gostar dela logo de cara. Podemos esperar algo novo, mas que irá respeitar suas encarnações passadas. O próprio discurso que ela faz perto do fim deixa isso bem claro: podemos evoluir e caminhar em direção a quem devemos nos tornar, desde que mantenhamos a nossa essência. Essa fala serve tanto para afirmar Jodie no papel principal quanto para garantir aos fãs mais conservadores que eles não devem temer pela descaracterização do personagem.

 

O novo showrunner já disse que veremos muitas coisas originais no programa e que os vilões clássicos ficarão em segundo plano. Mas o primeiro inimigo da Doctor não se mostrou tão carismático, muito menos ameaçador, apesar do visual sinistro. Fica a dúvida se voltaremos a ver Tzim-Sha (ou Tim Shaw, se você preferir) ou mais algum Stenza.

Contundo, entra temporada, sai temporada, uma coisa que Doctor Who sempre faz com seus fãs é emocioná-los, geralmente matando alguém. E mais uma vez sentimos a morte de um personagem que se tornou querido em pouco tempo. A participação de Grace foi curta, mas ela se mostrou fundamental em vários momentos e, mesmo que sua morte tenha sido previsível, seus ensinamentos terão impacto sobre a postura de Ryan mais para frente.

A conclusão do episódio nos deixa curiosos para saber o que acontecerá a seguir. A ideia da Doutora era voltar sozinha para a TARDIS, mas ela vai parar no meio do Espaço junto com seus novos companions. Resta agora saber para onde eles irão a partir dali, qual será a próxima aventura e como cada um deles irá evoluir individual e coletivamente. De uma forma ou de outra, The Woman Who Fell to Earth é um começo promissor para a nova era de Doctor Who, motivo pelo qual devemos ficar otimistas com o futuro do show.

Ficha técnica:

  • Episódio: 11×1: The Woman Who Fell to Earth
  • Data de estreia: 7 de outubro de 2018
  • Roteiro: Chris Chibnall
  • Direção: Jamie Childs
  • Duração: 63 minutos
  • Elenco: Jodie Whittaker (Décima terceira Doutora), Bradley Walsh (Graham O’Brien), Tosin Cole (Ryan Sinclair), Mandip Gill (Yasmin Khan)
  • Elenco convidado: Sharon D. Clarke (Grace),Samuel Oatley (Tim Shaw), Johnny Dixon (Karl), Amit Shah (Rahul), Asha Kingsley (Sonia), Janine Mellor (Janey), Asif Khan (Ramesh Sunder), James Thackeray (Andy), Philip Abiodun (Dean), Stephen MacKenna (Dennis), Everal A Walsh (Gabriel).

Assista ao trailer:

Ouça o Leitura Who sobre a temporada 10

Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.