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Doctor Who 13×0: Revolution of The Daleks | Review

Doctor Who 13×0: Revolution of The Daleks | Review

[SPOILERS A SEGUIR] Mesmo que a 13ª temporada de Doctor Who ainda não tenha previsão para estrear, podemos iniciar 2021 exterminando a saudade da Doutora e seus amigos em mais um especial de Ano Novo. Revolution of The Daleks traz outra vez os piores inimigos da Senhora do Tempo e resgata velhos personagens; e ainda que haja outros episódios melhores, esse cumpre a função de encerrar o arco de dois companheiros importantes e deixar o caminho livre para o próximo ano de Jodie Whittaker na série.

O ponto de partida de Revolution of the Daleks é o especial anterior, Resolution (S12E00), que também focou nesses vilões. Os minutos iniciais nos relembram como a Doutora (Jodie Whittaker) derrotou o Dalek e mostram o que aconteceu logo depois: a armadura danificada do mutante foi roubada. A partir dela, o empresário Jack Robertson (Chris Noth) financiou a criação de drones iguais a Daleks para fazerem a segurança do Reino Unido e alavancarem seu poder político e econômico. A anos-luz dali, reencontramos a Doctor na prisão para a qual foi enviada na conclusão de The Timeless Children (S12E10), encarando uma rotina entediante como detenta. Na Terra, Yaz (Mandip Gill) está obcecada em descobrir a localização da Doutora, mas já se passaram 10 meses desde que se viram pela última vez; sem contar que Graham (Bradley Walsh) e Ryan (Tosin Cole) já se conformaram com a sua ausência.

O primeiro ponto positivo do episódio é promover o tão aguardado reencontro do Capitão Jack Harkness (John Barrowman) com a nova regeneração do Doutor. É bom ver que a química entre os dois ainda se mantém a mesma e, como não poderia deixar de ser, há tempo para muitas referências ao passado deles nas primeiras temporadas da era moderna. A interação dele com os novos companions também ganha espaço, com destaque para a conversa que Jack tem com Yaz sobre o impacto que a Doutora tem na vida de quem viaja com ela.

revolution of the daleks jack harkness

Quem também dá as caras de novo é Jack Robertson, que apareceu pela primeira vez em Arachnids in The UK (S11E04). Ele é o “cara das aranhas”, como a própria Yaz o chama, já que é realmente difícil lembrar dele no começo. Porém ele vai ganhando importância e possivelmente o veremos em outros momentos daqui para frente.

Mesmo revendo seus amigos, a ausência prolongada da Doctor afeta sua relação com eles. Enquanto Yaz faz o possível para encontrá-la, Ryan percebe que pode fazer algo significativo sem ela por perto, além de recuperar sua vida na Terra. O diálogo dos dois mostra que o rapaz amadureceu bastante e essa também é a única cena que deixa claro com a Doutora se sente com a descoberta de ser a Criança Atemporal.

Retornando aos Daleks, não é preciso ser um gênio para saber que mexer com eles não é boa ideia. A partir de um único clone, um exército Dalek é criado para assumir o controle dos drones e exterminar os humanos. A solução que a Doc encontra para isso é ao mesmo tempo simples e perigosa: atrair outros Daleks para derrotar os seres modificados usando a ideia de pureza da raça contra eles mesmos.

revolution of the daleks daleks

Quem já assistiu à série clássica, mais especificamente à 25ª temporada (1989), deve ter percebido muitas semelhanças entre Revolution of The Daleks e o episódio em quatro partes Remembrance of The Daleks. Nesses episódios, o Sétimo Doutor (Sylvester McCoy) tira proveito da rivalidade entre duas facções Dalek. Uma delas, inclusive, conta com o apoio de humanos que roubam uma armadura Dalek e conspiram contra a humanidade. Com isso, vemos que o especial escrito por Chris Chibnall não apresenta muitas inovações nesse quesito.

Outro ponto negativo está no fato de muitas oportunidades serem desperdiçadas pelo roteiro. A primeira delas é a fuga da prisão dos Judoon. O resgate feito pelo Capitão Jack é uma surpresa, mas tem pouco impacto devido a sua simplicidade. Ali seria a chance ideal para a Doutora mostrar toda a sua genialidade e escapar de uma prisão de segurança máxima, mas isso não acontece.

Algo que também não tem muita relevância é a traição de Robertson quando ele diz que o chamado aos Daleks foi feito pela Doutora. Isso deveria ter estragado os planos dela, obrigando-a a improvisar, mas o plano prossegue normalmente com certa facilidade e o traidor ainda recebe os créditos pela salvação da Terra. Com isso, ele fica ainda mais próximo de sua antiga ambição de se tornar o presidente dos Estados Unidos. Por isso é correto supor que ainda o reencontraremos na série.

Essas questões de desenvolvimento até são perdoáveis, mas o que decepciona realmente é ver Graham deixado em segundo plano depois de crescer tanto durante a 12ª temporada. Durante a luta contra os Daleks, ele não protagoniza nenhum momento memorável e nem na sua despedida o motivo é convincente. Ele já vinha pensando na possibilidade de se separar da Doctor por razões pessoais, mas no instante em que resolve fazer isso sua decisão é baseada no desejo de Ryan de seguir seu próprio caminho.

revolution of the daleks graham e ryan

Entretanto, ainda que Graham não tenha recebido o merecido destaque ao longo do especial, a cena final dele com seu neto é comovente e relembra o primeiro episódio da era Chibnall, The Woman Who Fell to Earth. Sem contar que os personagens não são descartados definitivamente já que ambos vão continuar agindo como protetores da Terra. Quem sabe um dia eles não retornam ao menos para uma participação rápida depois que os projetos paralelos de Bradely Walsh e Tosin Cole terminarem, não é?

E assim, restam apenas a Doutora e Yaz viajando pelo tempo-espaço. Fica a expectativa sobre como isso terá efeito no relacionamento das duas e como será feita a introdução de John Bishop na 13ª temporada, já que ele aparece rapidamente ao final dos créditos. Será que a Doutora seguirá os conselhos de Ryan para tentar descobrir a respeito do próprio passado? Ou a questão de ser a Criança Atemporal já não tem mais tanta importância para ela (e nem para os roteiristas)?

Mesmo desperdiçando boas oportunidades e tirando o foco de alguns personagens relevantes, Revolution of The Daleks está longe de ser ruim. O especial faz o que tinha que fazer: encerra um ciclo para iniciar outro com novas pessoas e aventuras na jornada da Senhora do Tempo a bordo de sua TARDIS. Agora só nos resta aguardar os novos episódios.

Ficha técnica:

  • Episódio: 13×0 – Revolution of The Daleks
  • Data de exibição: 1º de janeiro de 2021 (UK) / 4 de janeiro de 2021 (Brasil)
  • Roteiro: Chris Chibnall
  • Direção: Lee Haven Jones
  • Duração: 1h11min
  • Elenco convidado: John Barrowman (Capitão Jack Harkness), Chris Noth (Jack Robertson), Harriet Walter (Jo Patterson), Nathan Stewart-Jarrett (Leo Rugazzi), Sharon D. Clarke (Grace), entre outros
  • Elenco: Jodie Whittaker (Décima terceira Doutora), Bradley Walsh (Graham O’Brien), Tosin Cole (Ryan Sinclair), Mandip Gill (Yasmin Khan)

Assista ao trailer:

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Sobre Mozer Dias

Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.