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Anime | Parasyte – The Maxim (Kiseijuu: Sei no Kakuritsu)

Anime | Parasyte – The Maxim (Kiseijuu: Sei no Kakuritsu)

Esse é um ótimo exemplo daqueles animes pouco conhecidos no Brasil, mas que são de uma qualidade surpreendente: Kiseijuu: Sei no Kakuritsu, também conhecido como Parasyte – the maxim. Produzido e lançado pelo estúdio Madhouse em 2014, a animação japonesa adapta para a TV o mangá de Hitoshi Iwaaki, originalmente publicado a partir de 1988.

De forma aparentemente inexplicável, seres conhecidos apenas como Parasitas começam a invadir o cérebro das pessoas e a tomar o controle de seus corpos. O estudante Izumi Shinichi tem o mesmo destino, porém algo dá errado e o invasor não consegue chegar ao seu cérebro, ficando apenas na sua mão direita. Assim, parasita e humano precisam lidar com a presença um do outro e aprender a coexistir no mesmo corpo. Enquanto se acostumam com sua nova realidade, uma onda de assassinatos violentos cometidos pelos infectados começa a pôr a vida de todos em risco, inclusive a deles dois.

A convivência entre Shinichi e o Parasita – que passa a ser chamado de Migi (“direita” em japonês) – é o que movimenta os primeiros episódios da produção. As diferenças filosóficas e fisiológicas entre os dois rendem muitos conflitos, resultando em momentos divertidos. Entretanto, o tom do anime vai mudando à medida que os protagonistas aprendem um com o outro e evoluem. As cenas tornam-se mais dramáticas e sombrias conforme a situação vai se agravando e eles vão amadurecendo. Isso deixa a comédia em segundo plano e uma seriedade maior toma conta da obra.

Tal postura combina com a proposta da trama, pois a grande discussão que podemos perceber por trás da ficção é sobre o significado de humanidade. O que significa ser humano?  O que faz com que você se torne humano ou então deixe de ser um? Essas questões ficam evidentes nos diálogos intensos entre os Parasitas e as pessoas, onde o papel de cada um na Terra é debatido, às vezes em um sentido crítico e pessimista e outras vezes de maneira otimista. Essa fala de um dos personagens dá uma mostra clara disso:

Protegemos as outras espécies porque os humanos em si são criaturas solitárias. Protegemos o meio ambiente porque os humanos não querem ser extintos. O que nos move é a própria satisfação. Creio que tudo se resuma a isso e não vejo problema algum. Não há por que desprezar os humanos por verem tudo pelos seus valores. Seria hipocrisia nossa amar a Terra sem amar a nós mesmos. ”

Como se não bastasse o choque entre espécies, há também o embate interno que cada indivíduo trava. Ao mesmo tempo que Shinichi e Migi trocam informações e traços de personalidade, a dupla precisa decidir o que fazer com o que foi absorvido por eles. Diante disso, eles finalmente podem descobrir até onde vai o limite entre o seu senso de responsabilidade para com os outros e o instinto de autopreservação natural dos seres vivos.

Mesmo com tantos questionamentos, a animação não deixa de ter várias cenas de ação e violência, onde predomina o estilo gore. Isso nada mais é do que um subgênero dos filmes de terror que foca na representação gráfica do sangue e de cenas violentas. Por essa razão, pode ser que o anime não agrade aos mais fracos de estômago.

Os 24 episódios contam uma história fechada e bem conclusiva, o que praticamente descarta as chances de uma segunda temporada. Então para quem gosta de animes mais curtos, essa é uma ótima opção. Ainda que não tenha grande repercussão no Brasil, Parasyte (ou Kiseijuu, se você preferir) é uma produção que se destaca ao abordar um contexto característico de filmes de terror e ficção científica sob outro olhar e trazer profundas discussões consigo.

Ficha técnica:

  • Ano de lançamento: 2014
  • Gênero: ação, drama, ficção científica, gore
  • Criador: Hitoshi Iwaaki
  • Estúdio: Madhouse
  • Número de episódios: 24
  • Status: concluído

Trailer:

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.