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Jujutsu Kaisen – 1ª temporada (análise SEM SPOILERS) | Anime

Jujutsu Kaisen – 1ª temporada (análise SEM SPOILERS) | Anime

Animes de ação existem muitos por aí e a cada ano surgem mais. Porém, entre tantas opções, sempre tem aquela que se destaca de algum modo por suas particularidades dentro de um gênero recheado de clichês. Nesse quesito, o nome do momento é Jujutsu Kaisen, animação baseada no mangá homônimo de Gege Akutami e produzida pelo estúdio Mappa.

Na obra distribuída mundialmente pela plataforma Crunchyroll, conhecemos o estudante Yuji Itadori, um garoto comum que é dotado de grande força física. Ele descobre que o mundo é habitado por Maldições que tomaram forma devido às emoções negativas da humanidade e que, para combatê-las, existe uma organização de poderosos feiticeiros. Enquanto tenta proteger seus amigos, Yuji engole um artefato amaldiçoado e se torna o hospedeiro de Ryomen Sukuna, o Rei das Maldições. Depois do incidente, o rapaz é convidado para a Escola Técnica Superior de Jujutsu de Tóquio para ser treinado (e vigiado) por Satoru Gojo.

jujutsu kaisen yuji e gojo vs sukuna

 

Julgando pela sinopse, é possível reconhecer diversos clichês de animes de ação. Contudo, Jujutsu Kaisen mostra que tem algo diferente logo de cara, a começar pela qualidade excelente da animação feita pelo Mappa. Os episódios intercalam cenas de tensão, ação e violência com momentos de humor que não deixam o clima aparentemente tão pesado. Tudo isso é feito com uma riqueza de detalhes e cores que tornam a produção bonita de se ver.

jujutsu kaisen yuji e gojo vs sukuna

Mas o que realmente conquista os espectadores é o carisma dos personagens, não importando se são os mocinhos ou os vilões. Todos têm alguma característica pessoal que os tornam únicos, mas temos que admitir que os que mais se destacam são Itadori, graças ao seu estilo impulsivo e espontâneo, e seu professor Gojo. Esse último faz o estilo do sensei superpoderoso que aponta o caminho para o crescimento do protagonista, porém percebemos que algumas de suas escolhas são bem questionáveis para educar seus alunos. Isso distorce um pouco a imagem que temos dos mestres nos animes, como Kakashi de Naruto ou Mestre Kame de Dragon Ball.

jujutsu kaisen calouros

A obra não economiza nem mesmo nas suas aberturas e encerramentos, combinando músicas alto astral com animações em diversos estilos de cores e traços. O destaque vai para o primeiro encerramento, Lost in Paradise, da banda Ali, que serve para que possamos respirar e relaxar um pouco depois de um final de episódio tenso.

Com tantas coisas a seu favor, não é de se admirar que Jujutsu Kaisen tenha faturado vários prêmios. Ele foi o grande vencedor da edição de 2021 do Crunchyroll Anime Awards, onde ganhou nas categorias Anime do Ano, Melhor Encerramento (Lost in Paradise) e Melhor Antagonista (Ryomen Sukuna). A produção também foi indicada para Melhor Animação, Melhor Diretor, Melhor Protagonista, Melhor Abertura (Kaikai Kitan).

Agora é preciso chamar a atenção para a dublagem brasileira feita pelo estúdio Som de Vera Cruz, que consegue a proeza de dar ainda mais carisma aos personagens e refinar o humor para o jeitinho brasileiro mantendo as referências a outros animes. Sem correr o risco de exageros, em termos de qualidade a dublagem é comparável ao trabalho feito em Yu Yu Hakusho. Até o momento em que esse texto foi publicado, 18 dos 24 episódios já foram dublados.

Para quem gosta de se localizar no mangá, a primeira temporada de Jujutsu adapta os capítulos 1 a 63 da obra de Akutame, totalizando 7 volumes. E se você já está sofrendo em ter que esperar a nova temporada, uma boa notícia: foi anunciado um longa-metragem do anime para 2022, que será baseado em Jujutsu Kaisen 0, uma história anterior à principal focada em outros personagens.

Podemos finalizar dizendo que Jujutsu Kaisen foi aprovado em todos os quesitos de qualidade que o destacam dentre diversos animes de ação. Mesmo conservando muitos lugares-comuns, a animação os aborda de forma diferente e original e o resultado é uma experiência divertida e diferenciada dentro do gênero.

Ficha técnica:

Assista ao trailer:

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Sobre Mozer Dias

Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.