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Anime | Erased (Boku Dake Ga Inai Machi)

Anime | Erased (Boku Dake Ga Inai Machi)

Quem nos acompanha há bastante tempo sabe que somos fãs declarados de Doctor Who e tudo o mais que mexa com viagens no tempo. Por isso, a recomendação de anime de hoje segue essa mesma temática acrescida daquele toque dramático que só os japoneses conseguem criar. Trata-se de Erased (ou Boku Dake Ga Inai Machi, que significa “a cidade em que só eu não existo”), do criador Kei Sanbe e produzido pelo estúdio A-1 Pictures em 2016.

A obra nos conta a trajetória de Satoru Fujinuma, um homem de 29 anos cujo sonho era ser mangaká (nome pelo qual são chamados os quadrinistas no Japão) mas acabou como um simples entregador de pizzas. Entretanto, ele possui o Revival, uma habilidade que o permite voltar no tempo toda vez que uma tragédia acontece para impedi-la. Quando sua mãe é assassinada após reconhecer um matador de crianças, Satoru retorna 18 anos no tempo com a missão de salvar a vida de Kayo Hinazuki, uma antiga colega de classe e a primeira vítima do serial killer. Fazendo isso, ele acredita que será capaz de alterar o futuro e salvar a mãe.

A premissa de modificar o passado é tão encantadora pelo simples fato de não fazermos ideia de como isso irá repercutir mais à frente e quantos paradoxos produzirá. Isso deixa a trama complexa, imprevisível e abre vários caminhos a serem explorados. Porém, sempre há uma consequência de maior ou menor gravidade ao “brincar” com o tempo, como já vimos em De Volta Para o Futuro, Questão de Tempo, Efeito Borboleta e outros do gênero. Tal característica é mantida em Erased de forma inteligente, nos mantendo apreensivos no decorrer da animação.

Apesar de ter um poder incrível, o protagonista é um rapaz frustrado que tem muita dificuldade de expressar os próprios sentimentos. Podemos perceber isso pela forma como ele fala com seus companheiros de trabalho e com sua mãe. Quando ele tem a oportunidade de voltar para 1988, somente sua mente retorna, de modo que ele vira um adulto no corpo de uma criança de 11 anos. Embora ele já tenha certa vivência, é engraçado ver como fica constrangido com coisas infantis, como se as experimentasse pela primeira vez. Por outro lado, sua mentalidade madura para a pouca idade lhe ajuda a enfrentar os obstáculos que encontra.

E o maior deles é se aproximar de Kayo para salvá-la. A maior carga dramática do anime gira em torno da relação dos dois. O mais perturbador é que ela passa por uma provação que, infelizmente, muitas crianças precisam suportar em seus lares. Isso reflete em seu comportamento na escola, isolando-a e tornando-a uma presa fácil para um maníaco. Mesmo assim, ainda existe uma inocência nos gestos da menina que é comovente.

Por ser uma produção curta, os acontecimentos se desenrolam de forma ágil de modo que todo episódio é relevante. O suspense acerca da identidade do assassino e da tentativa de Satoru detê-lo faz com que nós passemos de um capítulo a outro rapidamente para descobrirmos logo o que vai acontecer. Para falar a verdade, a revelação de quem é o serial killer não chega a surpreender. O que de fato impressiona é o que acontece depois, pois é algo que foge completamente do que era esperado, mas ao mesmo tempo é plausível.

A viagem temporal é um tema fascinante quando bem trabalhado, o que acontece em Erased. Contudo, ainda que não possuísse esse elemento fantasioso, a história conseguiria nos entreter ao longo de seus 12 episódios apenas por nos divertir nos momentos certos, nos emocionar e nos espantar. E para quem se interessar, há também uma série homônima produzida pela Netflix com atores de carne e osso.

Ficha técnica:

  • Ano de lançamento: 2016
  • Gênero: suspense, drama, sobrenatural
  • Música de abertura: Re:Re: – Asian Kung-fu Generation
  • Música de encerramento: Sorewa Chiisana Hikarinoyouna – Sayuri
  • Criador: Kei Sanbe
  • Estúdio: A-1 Pictures
  • Número de episódios: 12
  • Status: concluído

Assista ao trailer:

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.