Resenha |  Voos – entre uma nuvem e outra

Resenha | Voos – entre uma nuvem e outra

Esse é um livro difícil de ser definido com palavras. Não porque seja ruim, muito pelo contrário. É bom de diferentes formas, pois acredito que atinja as pessoas de jeitos variados, de acordo com o que cada uma esteja sentindo no momento da leitura, seja uma saudade enorme, um amor profundo ou um espirito aventureiro. Essa subjetividade o torna complexo.

Contudo, independente das emoções que o livro desperte no leitor, uma coisa é certa: Voos consegue te carregar nas palavras, enlevar o espirito e trazer uma paz impressionante, mesmo que você o leia depois de um dia conturbado. Nele, Wanderly Frota fala de sentimentos de um jeito que poucas pessoas conseguem, através de uma coleção de pequenos textos.

Em cada um deles, nós vamos conhecendo seu lado menina sonhadora, atrás do qual se esconde uma mulher que teve que amadurecer para viver nesse mundo de gente grande. Como ela mesma se define: “Sou meio Peter Pan”.

Mas o que, à primeira vista, pode parecer uma série de textos intimistas, que tratam apenas dos seus próprios medos e dúvidas, se mostra uma janela que dá vista para nós mesmos. Tudo pelo qual a Wanderly já passou (ou ainda passa) nós nos identificamos, pois já passamos por aquilo: saudade de coisas que não voltam mais, medo do que é desconhecido e mesmo assim um desejo de fazer tudo diferente. O que todos esses sentimentos têm em comum é uma que nos impulsiona a seguir em frente.

Voos, então, é uma viagem que realizamos por nossa própria vida. Nos vemos como somos no presente, o que tínhamos no passado e o que queremos para o futuro. Encaramos a vida com uma nova perspectiva, ansiando sempre pelo melhor. Tudo isso, neste pequeno livro azul, que na verdade é maior por dentro…

Adicione este livro à sua estante!

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.

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