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Tormenta de Fogo (Executores livro 2) | Resenha

Tormenta de Fogo (Executores livro 2) | Resenha

Tormenta de Fogo é o segundo volume da trilogia Executores. Para ler a resenha do primeiro volume – Coração de Aço – clique AQUI.

Em Coração de Aço, primeiro volume da trilogia Executores, Brandon Sanderson trouxe à tona a temática dos superpoderes de uma forma peculiar, onde nenhum dos indivíduos com habilidades sobre-humanas poderiam ser chamados de heróis. Porém, o segundo livro da série, Tormenta de Fogo, questiona essa ideia ao apresentar o meio termo entre tirania e benevolência.

Depois dos acontecimentos em Nova Chicago, David Charleston dá mais um passo na sua jornada junto aos Executores. Sua próxima missão é em Babilar, cidade governada por Realeza, uma Épica misteriosa cujas reais intenções são desconhecidas. Enquanto David tenta descobrir quais os planos dessa mulher, ele se questiona se o ódio que sente pelos Épicos desde a infância realmente é válido ou se, na verdade, poderia existir algum herói entre os super-humanos.

A primeira diferença significativa entre Tormenta de Fogo e a obra anterior é a mudança de cenário. Passamos de um lugar feito completamente de aço para outro ainda mais peculiar: Babilar. A cidade é cercada de mistérios desde a sua governante até a forma como as moradias dos habitantes são distribuídas. Há uma mistura de degradação dos prédios com natureza selvagem que ninguém sabe explicar. O resultado disso é uma paisagem exótica que reflete o estado de espírito dos moradores.

Falando neles, os babilarianos chamam a atenção pela forma como levam suas vidas. A maioria deles se preocupa apenas em aproveitar o momento sem se importar com o fato de que podem ser mortos a qualquer instante por um Épico. Isso vai contra tudo o que David acredita e o rapaz não consegue aceitar esse conformismo por parte das pessoas. Por outro lado, também percebemos o quanto ele está acostumado a lutar e resistir, tanto que não sabe se relacionar com outras pessoas.

– Se as pessoas aceitam os Épicos […] eles venceram. Foi isso que deu errado; é por isso que ninguém resiste.”

Porém, a forma de pensar do protagonista também muda. Quando David perdeu o pai nas mãos de Coração de Aço, ele se convenceu de que nenhum Épico poderia fazer algo bom, mas diversos acontecimentos sem explicação fazem com que ele comece a contestar esse pensamento. Isso gera não só um conflito interno, mas também um choque de ideias com seus companheiros.

Alguns personagens novos são introduzidos, como a carismática Mizzy, que apesar de nova e inexperiente dentro dos Executores, mostra muitas habilidades quando entra em ação. Do lado dos Épicos, temos Realeza e seus poderes de manipulação da água que a tornam todo-poderosa na cidade. Além disso, temos Tormenta de Fogo, o personagem-título do livro. Agora finalmente conhecemos a verdadeira extensão de seus poderes e tudo que ele é capaz de fazer, além dos desafios pelos quais tem que passar.

No geral, essa continuação ainda não supera a atmosfera de tensão criada no primeiro livro. O desafio representado por Realeza, apesar de grande, não causa tanta apreensão quanto Coração de Aço causou. Mesmo assim, o nível de ação no segundo volume sobe um degrau e se torna bem mais ousado. Sem contar que a conclusão representa um ponto de virada surpreendente para ser explorado no último romance da série, Calamidade.

Tormenta de Fogo veio para acrescentar mais uma camada aos personagens da trilogia Executores e fugir da simplicidade do duelo “bem versus mal”. Nessa disputa entre Épicos e humanos, fica cada vez mais difícil definir quem é totalmente bom ou mau, ou até mesmo quem é o herói e quem é o vilão dessa história.

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Conheça os outros volumes da trilogia Executores:

Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.