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Revista A Taverna – Edição 5 | Resenha

Revista A Taverna – Edição 5 | Resenha

Não faz muito tempo que falamos da Revista A Taverna aqui no Leituraverso e, para nossa surpresa, a nova edição já foi lançada. O quinto volume traz mais contos de fantasia e terror, porém agora com um toque de despedida, já que a publicação entra em hiato por período indeterminado. Sabendo desse detalhe, a leitura ganha outro significado realçando as histórias apresentadas.

O conto de abertura é Melodia Para Viver Mais, do escritor Ricardo Sorrenti. Essa obra de terror e suspense narra a viagem de um casal em busca de um lago misterioso no interior da Geórgia, enquanto os problemas do relacionamento vão se intensificando. O autor não tem pressa para construir a atmosfera sobrenatural que envolve as personagens, contudo a narrativa é longa e se torna cansativa em determinado ponto. Mesmo assim, os acontecimentos finais pegam os leitores de surpresa e causam momentos de aflição com o que é descrito.

Carnaval Encarnado vem logo em seguida. Nessa história, o autor Thiago Ambrósio Lage nos apresenta a um fantasma peculiar que em toda terça-feira de Carnaval cai na farra para se apossar de um corpo e desfrutar dos prazeres carnais. Apesar da proposta interessante, o conto não apresenta um conflito para o protagonista enfrentar, muito menos uma reviravolta surpreendente, o que gera certa decepção ao final da leitura.

A única ficção relâmpago da quinta edição da Revista A Taverna é Noite Em Rio Vermelho, de Anderson Rodrigues. Esse é um ótimo exemplo de narrativa bem executada pois, por mais que o final se torne previsível logo no início do texto, a forma como ela é conduzida até à conclusão é satisfatória: o que já era esperado acontece, mas não da forma que imaginamos a princípio.

O destaque desse volume é Preservação da Espécie, de Pedro Guerra Demingos. Em poucas palavras, o autor nos apresenta a um mundo distópico onde algumas pessoas são marginalizadas por terem habilidades especiais devido à presença de parasitas em seu organismo. De certa forma, podemos fazer um paralelo com tramas de super-heróis com uma abordagem mais obscura dentro desse tipo de ficção. Sem contar que essa é uma daquelas obras que merecem ser exploradas e expandidas em produções maiores.

O último conto da revista é A Isca do Linceuro, escrito por Thiago Loriggio. Nele, conhecemos um mago iniciante em sua primeira missão. Mas o que aparentava ser algo simples e rápido de ser realizado, torna-se uma questão de vida ou morte quando criaturas monstruosas ameaçam atacar. Para os leitores mais atentos, o final pode ser antecipado, mas o uso de magia e a construção do cenário tornam o texto prazeroso de ser lido.

O clima de despedida realça a leitura dos cinco contos dessa edição. E mesmo não sabendo quando a Revista A Taverna irá retornar, podemos ficar gratos por todas as edições onde a equipe e os autores nos presentearam com histórias de vários tipos e que despertam diversas emoções. Agora, só nos resta fazer como os personagens do epílogo do quinto volume e esperar que um dia possamos voltar à Taverna.

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Sobre Mozer Dias

Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.