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Resenha | Segunda Fundação (Trilogia da Fundação livro 3)

Resenha | Segunda Fundação (Trilogia da Fundação livro 3)

Finalmente cheguei à conclusão da clássica Trilogia da Fundação! Depois de acompanhar os primeiros passos da Fundação, seus obstáculos, desvios, acertos e erros, é hora de conhecer a sua contraparte: a Segunda Fundação. Isaac Asimov mexe com a cabeça não só de seus personagens, mas também de seus leitores neste que é o melhor volume da primeira parte da saga.

Quando Hari Seldon criou seu plano para que a paz e a ordem fossem restauradas na Galáxia em mil anos ao invés de trinta mil, ele estabeleceu duas Fundações. A primeira, localizada em Terminus, progrediu ao longo dos séculos conforme o planejado. Porém os cálculos de Seldon não incluíam a presença de um adversário poderoso: o Mulo. Mas para que esse indivíduo peculiar obtenha sucesso, ele precisa encontrar e derrotar a Segunda Fundação. O problema é que ninguém na Galáxia conhece sua localização.

Se nós prestarmos atenção aos detalhes da trilogia de Asimov, percebemos que a jornada da Fundação acompanha o curso da História da humanidade bem de perto. Nos dois primeiros livros, testemunhamos a ascensão da Primeira Fundação através do domínio religioso, científico e comercial. Por fim, o poderio militar e as guerras por território e influência acabam se tornando inevitáveis. A próxima etapa lógica é a guerra ideológica e é justamente isso que vemos no terceiro volume.

Mas aqui essa disputa vai um pouco além. A batalha acontece de fato na mente, brincando com o subconsciente dos envolvidos. Primeiro, os poderes mentais do Mulo entram em choque com as habilidades psicológicas da Segunda Fundação. Esse confronto resulta em uma das passagens mais intensas da primeira parte do livro onde um verdadeiro duelo mental é travado.

Na segunda parte, a narrativa se volta para a tensão existente entre as duas Fundações. Apesar de compartilharem o mesmo objetivo de reestruturar o Plano Seldon — o qual se encontra abalado após a aparição do Mulo — há desconfiança e ressentimento entre as duas instituições. Entre uma reviravolta e outra, a tensão psicológica aumenta até não sabermos mais quem está falando a verdade e quem está sendo manipulado.

Todo ser humano vive por trás de uma parede impenetrável de névoa asfixiante dentro da qual só ele existe.”

A aura de mistério criada em torno da Segunda Fundação exige uma mudança na narração para que os personagens sejam apresentados de forma adequada sem estragar o suspense. A figura incógnita do Primeiro Orador me deixou com dúvidas sobre qual é o papel da Segunda Fundação dentro do plano geral, mas também me impressionou pela sua praticidade e objetividade, não hesitando em cometer sacrifícios para atingir suas metas.

Depois de tantas conspirações, intrigas e lutas, a verdade enfim é revelada. Confesso que algumas revelações eu já havia deduzido ao longo da leitura, então não me surpreenderam muito. Outras, porém, me pegaram de surpresa até nas ultimas linhas, mostrando a engenhosidade das estratégias criadas pelos diferentes grupos.

Mais engenhoso que isso é o autor que concebeu toda essa obra. Com a Trilogia da Fundação, Isaac Asimov traça um paralelo com a nossa própria História, extrapolando isso para uma trama fantástica onde o ser humano é a peça central. Se terminasse aqui, a série já estaria completa e totalmente satisfatória, mas saber que existem quatro volumes que vão mais a fundo nesse universo é um consolo para mim e para todos os fãs da ficção científica.

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.