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Resenha | Ruptura (Abismo livro 2) – Thiago d’Evecque

Resenha | Ruptura (Abismo livro 2) – Thiago d’Evecque

A vingança é um desejo que cobra um preço alto. Em Ruptura, segundo livro da série Abismo, o escritor Thiago d’Evecque explora as consequências que recaem sobre a protagonista graças à sua busca por fazer justiça com as próprias mãos e como esse sentimento põe em risco sua humanidade e a vida de seus companheiros.

A trama dá continuidade aos acontecimentos de Promessa de Fogo, mostrando Alicia em uma busca solitária pela Chama, um artefato que a ajudará a concretizar seus planos. Porém a força que o Abismo exerce sobre a jovem é cada vez maior e ela sente os efeitos de mergulhar na escuridão. A sede por sangue é quase incontrolável e o chamado dos demônios, irresistível. Enquanto isso, sua tia Charlotte e a arqueira Matilda traçam seu próprio caminho guiadas por Lunas, o herdeiro do trono do Norte.

Agora que já estamos acostumados com o cenário que mistura répteis monstruosos, magia e demônios, a narrativa foca em Alicia e no duelo interno que ela trava para manter a sanidade. Sua capacidade de utilizar as forças demoníacas lhe garante novas habilidades, mas que possuem um custo elevado para o seu corpo e para sua mente. A fúria cega que sentia começa a vacilar diante do que pode vir a acontecer, mas ainda assim a garota sente que precisa fazer algo para aplacar a sua dor.

Como já acontecia antes, a presença de Charlotte e Matilda se mostra essencial para guiar a protagonista. Elas estão dispostas a salvá-la de si mesma, mas não abrem mão de seus princípios. O senso de justiça e determinação de ambas servem como um norte para manter Alicia humana. Além delas, surge uma nova personagem: Parisa. Sua ingenuidade contrasta com a inteligência e talento para lutar; e mesmo que seu potencial não seja totalmente explorado em Ruptura, sua importância já foi garantida para a sequência.

Olhe para aquela planta. […] Distorcida, espinhosa, esquisita. Se uma planta como essa se agarra à vida, qualquer um consegue. A vida é mais forte do que pensamos, acho. Ela cresce nos lugares mais inóspitos e se mantém nas coisas mais improváveis. Talvez você só não tenha achado seu lugar ainda.”

“O ódio é uma fogueira onde você se joga, e pensa que a dor que sente é a mesma que causa. Mas só você queima. Você e as pessoas que tentam te tirar da fogueira. Não o deixe destruir a sua vida e sugá-la para o Abismo.”

Olga e Vilmos, também ganham certo destaque. Novas informações sobre o passado dos antagonistas são reveladas e mostram que a motivação deles é válida, por mais que utilizem meios condenáveis para alcançar seus objetivos. Essa dualidade acrescenta profundidade à dupla, tornando-os mais do que simples vilões.

Com os novos poderes de Alicia, as cenas de batalha estão muito mais intensas e empolgantes. Misturado a isso, as reviravoltas que surgem no decorrer da leitura deixam o futuro dos personagens incerto e imprevisível. A conclusão fecha mais um arco, mas o ponto de virada promete uma história ainda mais ousada para o terceiro volume.

Ruptura, como o próprio título sugere, é um divisor na saga criada por Thiago d’Evecque. Tudo indica que os desafios do Abismo serão ainda maiores daqui para a frente, reservando fortes emoções para os leitores, preparando-nos para mais um capítulo de uma saga criativa que traz reflexões sobre quais limites não devem ser ultrapassados na procura por justiça.

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.