Resenha | Replay

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Este é um romance do escritor francês Marc Levy, que nos conta a história de Andrew Stilman, um repórter investigativo do New York Times. Sua profissão lhe rendeu alguns inimigos, inclusive dentro do seu ambiente de trabalho e, como se isso não bastasse, ele ainda partiu o coração da mulher que amava. Para ele, poder voltar no tempo e consertar seus erros seria uma benção, porém isso acontece de forma violenta. Depois de ser assassinado, Andrew desperta dois meses antes de sua morte e precisa correr contra o tempo para descobrir quem será seu carrasco.

A trama é bem criativa e a narração em terceira pessoa consegue prender nossa atenção. Nos primeiros capítulos, vamos conhecendo o caminho trilhado por Andrew até o momento em que ele é assassinado. Depois disso, inexplicavelmente ele acorda dois meses antes do ocorrido, ciente de que alguém vai matá-lo (de novo) em breve.

A aceitação dele acontece bem rápido, sem que fique buscando alguma resposta filosófica ou religiosa do porquê ele ter ganhado uma segunda chance. Agora sua prioridade é descobrir um jeito de impedir que seu destino se concretize.

Para isso ele conta com a ajuda de seu melhor amigo, Simon, e de um velho policial aposentado, o inspetor Pilguez. Esses dois personagens garantem o divertimento da leitura, com diálogos sarcásticos e bem humorados, além de serem fundamentais na investigação.

Um dos pontos fracos da história é justamente a relação entre as duas linhas temporais. Enquanto Andrew revive os dois últimos meses, muitos fatos diferentes surgem ou ocorrem fora da ordem original. Contudo, nós não fomos apresentados ao que tinha acontecido antes, nem mesmo superficialmente e, assim, não conseguimos perceber essas mudanças, nem traçar paralelos com o passado.

Outro ponto negativo são as suspeitas em cima de um personagem em particular que tornam previsível o seu desfecho, tirando parte do impacto final. Sem contar algumas pontas que ficam soltas e terminamos sem saber o que aconteceu com algumas pessoas.

Desse modo, a trama proposta é bem interessante, porém mal desenvolvida em alguns pontos. Apesar disso, a leitura flui fácil e conseguimos chegar, sem muitos problemas, até o final que, mesmo não sendo tão óbvio, não chegou a ser surpreendente. Para um leitor não muito exigente, esse livro merece uma chance.

Adicione este livro à sua estante!

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.