Resenha | O Retorno de Izabel

Resenha | O Retorno de Izabel

A última leitura de 2015 foi para encerrar bem esse ano cheio obras de qualidade. Depois de um começo brilhante com A Morte de Sarai, a ação e o romance continuam em ritmo acelerado com O Retorno de Izabel, segundo livro da série Na Companhia de Assassinos, da escritora americana J. A. Redmerski.

A trama começa oito meses depois dos últimos acontecimentos do primeiro livro. Sarai, que tentou sem sucesso levar uma vida normal, agora parte em busca de vingança contra um homem sádico que permaneceu impune. Ela vai sozinha atrás dele, sem experiência nem recursos, e as coisas acabam não acontecendo como o planejado. Nesse momento Victor Faust reaparece para salvá-la mais uma vez, percebendo que seus temores se confirmaram e que Sarai de fato optou pelo mesmo caminho sem volta que ele. Sem opções, ele decide treiná-la para ser uma assassina e, a partir daí, ela retoma seu papel de Izabel Seyfried.

Mais uma vez, a história é ágil e repleta de movimento. Porém o romance entre o casal protagonista, iniciado no volume um, ganha muito destaque e se sobressai ao restante do enredo, tornando-se repetitivo e até mesmo clichê em alguns momentos. Contudo, isso é amenizado pelo erotismo presente (dessa vez bem mais ousado) e pelas cenas de ação cruas e brutais.

Essa brutalidade em questão é apresentada sob novas formas. Muito além da dor e do horror físicos, o reflexo da violência no psicológico dos personagens chama mais a atenção. As motivações de cada um, até onde eles iriam ou o quanto suportariam para provar seus valores… tudo isso é possível de ser notado, compreendido e também questionado.

Sendo assim, O Retorno de Izabel honra a saga dos assassinos mesmo focando um pouco mais no sentimentalismo. Isso é perdoado pois a intenção clara do livro é está: algumas pessoas (não todas) por mais frias que sejam, tem algo de humano em si.

Leia também: Resenha | A Morte de Sarai

Adicione este livro à sua estante!

o retorno de izabel

Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.