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Resenha | O Primeiro – HQ livro de O Mundo de Quatuorian

Resenha | O Primeiro – HQ livro de O Mundo de Quatuorian

As histórias em quadrinhos são um segmento especial da Literatura, pois têm um estímulo visual único aliado à escrita. E mesmo que uma HQ esteja adaptando um texto em prosa, ela sempre acrescentará novos elementos que tornarão a leitura singular. Assim acontece com O Primeiro, a HQ-livro escrita e roteirizada por Cristina Pezel e ilustrada por Rapha Pinheiro, que conta a infância de Vorten Mibos, o vilão de O Mundo de Quatuorian.

Somos transportados para o Sul de Quatuorian, nas Terras de Vintária, e lá conhecemos a família de Vorten: o pai rico e indiferente, a mãe falecida e o irmão cruel e violento. Para fugir dessa situação, o protagonista faz pequenas expedições pelas redondezas, explorando florestas, vales e montanhas. Em uma dessas viagens, o menino se depara com uma força irresistível que lhe mostra o que o futuro tem reservado para ele. Mas para que tal destino se concretize, primeiro ele terá de cumprir uma missão.

A HQ adapta o conto O Primeiro, que está no prólogo do volume II da duologia O Mundo de Quatuorian. Essa história nos permite conhecer melhor o vilão da trama principal e entender de onde vieram e quando tiveram início as suas ambições. Seria simples demais culpar a infância difícil que Vorten tivera pelo homem frio e cruel que ele viria a se tornar, porém as coisas ficam mais claras quando vemos que algo mais poderoso teve influência nessa transformação.

Além dos quadrinhos, a obra também inclui o conto original e o making of da produção do livro. Ler essas três partes em sequência mostra que houve um bom planejamento da Cristina na hora de selecionar os momentos cruciais para serem ilustrados. Vários parágrafos podem ser resumidos em apenas uma imagem que transmite toda a mensagem que precisamos para entender o que está acontecendo, deixando a narrativa mais objetiva.

Os créditos pelas ilustrações vão para o Rapha Pinheiro, que soube captar bem a ambientação e características dos personagens. O traço dos desenhos e as cores escolhidas se encaixaram bem com o enredo. Somente em alguns momentos as cenas noturnas ficaram escuras demais, exigindo um pouco de esforço para enxergá-las, mas isso não compromete o entendimento geral.

Por último, é importante lembrar que a leitura prévia da duologia de O Mundo de Quatuorian não é obrigatória para quem quer ler a HQ. Caso o leitor já tenha feito isso, os quadrinhos serão um valioso complemento à trama principal. Do contrário, a HQ despertará a curiosidade de saber mais sobre esse mundo fantástico e seus personagens.

O Primeiro cumpre o seu papel de acrescentar um diferencial a um texto em prosa e confirma o poder que as histórias em quadrinhos têm para transmitir sua mensagem de forma clara e marcante na mente dos leitores.

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.