Resenha | O Mundo de Quatuorian

Resenha | O Mundo de Quatuorian

Quando se fala em alta fantasia, algumas obras de renome nos vêm à memória como O Senhor dos Anéis, As Crônicas de Nárnia e Guerra dos Tronos, todos clássicos internacionais. Agora imagine um livro nacional que reúna diversas características dessas produções, criando algo totalmente novo. Este é o caso de O Mundo de Quatuorian, da escritora Cristina Pezel, que esteve presente no Stalo! e foi nossa convidada no Novos Autores.

Quatuorian é um império dividido em quatro territórios: Probatus, Crystallos, Jucundus e Caldária. Nesse mundo fantástico cercado por animais gigantes, flora e fauna exóticas, alguns dos habitantes nascem com poderes especiais, os chamados dons Vitae. Porém, um perigo iminente se aproxima, prenunciado em uma profecia milenar escrita no Códice dos Mestres. Diretamente ligados à essa profecia, estão os jovens Teriva, Vinich e Julenis, que desde a infância vêm recebendo sinais do que está por vir. Agora eles precisam descobrir quais seus papéis na grande missão de salvar as Quatro Terras.

Logo no começo da leitura, já temos uma ideia da dimensão do mundo criado por Cristina, com todas as suas particularidades culturais e sociais. Ao longo das 452 páginas tomamos conhecimento dos costumes, tradições e rituais da população. Mesmo a passagem do tempo é marcada de forma única, pois Quatuorian é regida por quatro sóis. Um sol comum representa o período de um dia; um sol-azul equivale a aproximadamente um ano, sendo a forma como as pessoas calculam suas idades. Dessa forma, o surgimento simultâneo dos quatro sóis no céu é um fenômeno raro que ocorre a cada 1.111 sóis-azuis.

A divisão dos cargos político-administrativos também é própria, juntamente com a moeda em circulação nas Quatro Terras. Para facilitar a absorção de tantos conceitos, a autora criou um apêndice com uma lista de personagens, regiões e termos usados na narrativa. Sabendo que a consulta a esse complemento é fundamental, Cristina tomou o cuidado de não acrescentar nenhum spoiler nessas informações. Então se você estiver lendo a obra, não tenha medo de consultar o apêndice, porque isso não diminuirá as surpresas que vêm pela frente.

Outro ponto forte é o estímulo visual feito pela narração. Cada uma das regiões têm uma característica ambiental peculiar, sendo a mais marcante a de Caldária, com seus diversos vulcões. A descrição das cenas de ação também é clara e, ao mesmo tempo, dá margem para a nossa imaginação fluir. Se isso não bastasse, o livro conta com as incríveis ilustrações dos personagens mais importantes além de um mapa com os quatro territórios do Império.

Assim, a história vai se desenvolvendo até todas as peças estarem em seu devido lugar. Alguns pontos ficam sem resposta, mas isso é proposital, pois a autora lançará uma sequência abordando outras questões sobre esse cenário fantástico. De qualquer forma, a trama principal se resolve de forma satisfatória.

Portanto, O Mundo de Quatuorian é uma fantasia que pode muito bem ser colocada junto às obras mundialmente conhecidas de Tolkien, C. S. Lewis e George R. R. Martin, representando muito bem o Brasil nesse gênero da Literatura. E se você quiser saber um pouco mais sobre os personagens e o enredo antes da leitura, pode ouvir a participação de Cristina Pezel no podcast Leituracast Especial Novos Autores.

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.

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