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Resenha | O Grande Assalto (Filhos do Homem livro 2)

Resenha | O Grande Assalto (Filhos do Homem livro 2)

Em sua série Filhos do Homem, Wallace Oliveira criou um cenário cyberpunk habitado por todo o tipo de criaturas fantásticas. No primeiro livro, os personagens de diversas raças e personalidades precisavam se unir para realizar uma missão quase impossível. Agora, em O Grande Assalto, segundo volume da série, conhecemos mais sobre o passado de cada um deles e vemos o ousado plano finalmente sendo posto em prática.

O objetivo do grupo liderado pelo mercenário Galen é invadir uma fortaleza aérea e roubar uma carga valiosa. Mas para isso, eles precisarão ludibriar a Suprema Justa, um ser divino com poderes ilimitados. O grau de dificuldade dessa tarefa já é elevado mesmo com tudo planejado, porém as coisas pioram quando imprevistos começam a acontecer.

A trama continua do ponto onde o primeiro volume encerrou, focando na segunda etapa do trabalho que a equipe foi intimada a realizar. Por se tratar de uma empreitada que exige mais inteligência do que força bruta, o suspense é maior, culminando em momentos de tensão que despertam a curiosidade do leitor para a solução que será dada para o impasse.

Nem por isso a narrativa deixa de contar com cenas de ação. Esses momentos já haviam se destacado no livro anterior e mantêm a qualidade criativa e o ritmo frenético agora. Vemos lutas corpo a corpo e perseguições de carro em alta velocidade em cenários imponentes e paisagens típicas do gênero cyberpunk.

Nessa questão da ambientação, O Grande Assalto foge dos lugares opressores e sujos descritos anteriormente e mostra onde os ricos e poderosos vivem e esbanjam a sua fortuna. O Egito futurístico chama a atenção pelas inovações tecnológicas que se integram às antiguidades que caracterizam a cultura desse país.

O problema da obra continua sendo o excesso de descrições, não tanto como no primeiro romance, mas ainda o suficiente para incomodar aqueles que preferem imaginar os detalhes do jeito que quiser. O uso dos flashbacks foi um bom recurso para mostrar o passado dos personagens e desenvolvê-los com mais atenção. Quem mais se beneficiou com isso foi o personagem Sho’da, o guerreiro berseker do qual conhecemos melhor a infância. Contudo, isso acaba atrasando a trama principal em momentos cruciais.

A série Filhos do Homem conta uma história única dividida em quatro partes de forma que um livro vai completando o outro, nos deixando com algumas perguntas que serão respondidas apenas no volume seguinte. Mesmo sabendo disso, o encerramento de O Grande Assalto é um pouco frustrante por ser abrupto, sem fazer um gancho para o terceiro livro.

Ainda assim a leitura tem momentos muito bons que demostram a criatividade do autor para criar ambientes diferenciados e situações tensas que de fato fazem com que nós, leitores, fiquemos preocupados com o destino dos personagens. Só por isso, já vale dar uma chance para mais uma obra do cyberpunk nacional.

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.