Resenha | O Cisne e o Chacal

Resenha | O Cisne e o Chacal

A série Na Companhia de Assassinos começou com os livros A Morte de Sarai e O Retorno de Izabel, tendo como protagonista Sarai Cohen e seu conturbado relacionamento com Victor Faust. Agora, no terceiro volume, a autora J. A. Redmerski muda seu foco para outro personagem: o misterioso e sombrio Fredrik Gustavsson, o Chacal, a quem somos apresentados ainda no segundo livro: um interrogador e torturador que sente prazer em infligir dor e matar. Ele foi traído e abandonado por Seraphina – sua esposa, uma assassina ainda mais cruel – e jurou encontrá-la para um acerto de contas.

Neste terceiro romance, acompanhamos de perto a busca de Fredrik. Após seis anos procurando Seraphina, ele conhece a gentil Cássia, a única pessoa que pode ajudá-lo a descobrir o paradeiro da ex-mulher. Porém, Cássia sofreu um grave acidente e perdeu a memória, o que obriga Fredrik a mantê-la cativa em seu porão enquanto não obtém respostas. Essa proximidade faz com que o Chacal se apaixone por sua refém, mesmo que a personalidade dela seja o extremo oposto de sua antiga parceira. Dividido entre essa nova paixão e a velha obsessão por Seraphina, ele precisa travar uma luta psicológica contra seus instintos.

Mais uma vez a premissa nos remete a uma história de amor comum. Mas a própria autora esclarece que não; nas palavras dela este é um livro sobre crimes, um thriller psicológico. Isto se comprova ao longo da leitura, conforme vamos descobrindo o passado obscuro de Fredrik, que o moldou como um assassino frio e sádico. E mesmo que Seraphina tenha feito mal a ele, na verdade ela é a única capaz de controlar seu instinto matador, direcioná-lo para as pessoas certas, merecedoras de punição. E ele tem consciência disso; sabe que a ausência dela fará com que ele perca o controle e talvez tire a vida de um inocente, como já aconteceu algumas vezes.

Por outro lado, está Cássia, uma mulher comum que faz Fredrik se sentir um homem comum, sem um monstro dentro de si prestes a perder o controle. Entretanto, mesmo tendo esse sentimento por ela, ele não desiste de encontrar a ex. A princípio, os métodos que ele usa para tentar recuperar a memória da moça parecem sem sentido, visto que a solução apontada pela própria Cássia é muito mais óbvia e eficaz. Mas há uma explicação para isso quando a grande revelação da trama é feita e passamos a ter uma ideia melhor do dilema pelo qual Fredrik está passando.

“É difícil dizer qualquer outra coisa quando você não entende os próprios sentimentos, as próprias reações; quando se chega à conclusão de que há mais em si mesmo do que se poderia acreditar. Eu me sinto como se tivesse acabado de ter sido apresentado a um homem de aparência exatamente igual à minha, mas tão diferente por dentro que nada mais faz sentido. Estou olhando para meu sósia em um espelho, e tudo o que quero é matar o filho da puta, para poder me sentir normal novamente. Para estar no controle novamente.”

Como vem acontecendo ao longo da série, este livro também está repleto de cenas de ação, violência e sexo, dosadas de modo que não pareça apelativo demais. Mas para uma mente dominadora como a do protagonista, é claro que o erotismo é evidenciado. As cenas de relações sexuais são descritas com cuidado, sem soarem forçadas ou caricatas, muito menos vulgares. Porém não há censuras que maquiem a sensualidade e o forte desejo do momento.

Alternando entre momentos de tensão, suspense, romance e luxúria, a história vai se desenvolvendo até chegar a um fim satisfatório, deixando um gancho para os próximos livros. Apesar de os eventos da saga seguirem uma ordem cronológica, este volume em particular pode ser lido antes dos dois primeiros sem nenhum problema.

Sendo assim, O Cisne e o Chacal, até então, é o livro mais intenso da série Na Companhia de assassinos, explorando os cantos mais escondidos e obscuros da mente humana e as suas origens.

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro e blogueiro. Apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, ser um profissional da área de exatas, porém manter sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.