Resenha | Mago e Vidro

Resenha | Mago e Vidro

A série A Torre Negra finalmente chega à sua metade! Novamente somos transportados ao Mundo Médio para acompanharmos a saga épica do Pistoleiro Roland de Gilead e seu ka-tet em uma das obras de ficção mais ousadas do mestre Stephen King. Mago e Vidro retoma a narrativa no ponto onde a busca pela Torre foi interrompida no volume anterior, As Terras Devastadas.

Depois de se depararem com o desafio do monotrilho Blaine, Roland e seus amigos Eddie Dean, Susannah, Jake e Oi chegam ao que parece ser o estado do Kansas devastado por uma praga. Percebendo que se desviaram do Caminho do Feixe de Luz, a única alternativa que resta ao grupo é seguir por uma via expressa abandonada, rumo a um misterioso castelo de vidro no horizonte. Em uma determinada noite, acampados na estrada, Roland cumpre a promessa que fez a seus companheiros, contando a misteriosa e sombria história de seu passado.

É a partir daí que o quarto volume da série difere dos anteriores, pois ele é voltado para um Roland adolescente, recém-formado pistoleiro, que sequer estava obcecado com a Torre. Nesse contexto, finalmente somos apresentados a seus grandes amigos Cuthbert e Alain, já citados tantas vezes, mas nunca explorados. Também conhecemos Susan Delgado, o grande – e notoriamente trágico – amor de Roland. O carisma desses personagens é tão forte que logo nos acostumamos com a mudança de ares e passamos a viver aquela história como se fosse a principal.

 Outro fator que contribui para isso é a forte atmosfera do velho oeste. King sempre deixou claro que sua principal inspiração para essa trama eram os filmes de faroeste. Isso fica óbvio graças à pequena e poeirenta cidade de Hambry, com seu saloon; cavalos e ferreiros; e um xerife com sua minúscula cadeia. Para completar, existe uma grande conspiração colocando em perigo o jovem pistoleiro e seus aliados.

Mas esta não seria uma obra de Stephen King se ele não acrescentasse seu toque especial. Apesar de aparentar ser um local rústico e primitivo, vários elementos comuns da nossa sociedade contrastam com o ambiente como, por exemplo, uma refinaria de petróleo onde algumas torres de extração ainda funcionam; carcaças de carros abandonados; e até mesmo uma metralhadora. O principal, porém, é a presença da odiosa feiticeira Rhea de Cöos com sua bola de vidro que pode mostrar qualquer coisa, até mesmo o futuro.

Assim, a história vai se desenrolando até revelar as angústias passadas de Roland, fazendo com que nós compreendamos diversos traços de sua personalidade depois de adulto. Por último, já perto do fim do livro, voltamos a seguir com o Pistoleiro, Eddie, Susannah, Jake e Oi retomando o caminho em direção ao castelo de vidro, onde uma última revelação precisa ser feita antes que eles voltem a rumar para a Torre.

Por esses motivos, já podemos esperar uma aventura que foge do comum pelo simples fato de pegar ideias familiares a todos e transpô-las para um contexto distópico. Se o final de As Terras Devastadas foi um pouco frustrante por ser tão brusco, isso é facilmente perdoado diante da conclusão de Mago e Vidro, causando um arrepio nos leitores. Desse modo, a procura pela Torre Negra ganha um novo impulso, prometendo fortes emoções nos próximos volumes.

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.