Resenha | Hollen – Anjo Caído

Resenha | Hollen – Anjo Caído

A Literatura Fantástica nacional vem crescendo cada vez mais e se aventurando através das mais variadas tramas. Dentre suas vertentes, uma que tem muitos admiradores é a temática angelical que ganhou destaque há alguns anos com os livros de Eduardo Spohr. Agora é a vez de Fernando Raposo viajar pelos planos celestiais e infernais com Hollen – Anjo Caído.

A narrativa nos apresenta o relato em primeira pessoa de Hollen, um celestial que foi ludibriado por Lúcifer para integrar sua legião na Guerra do Paraíso. Após ser derrotado, a Estrela da Manhã e todos os seus seguidores foram banidos para as profundezas do Sheol, o plano infernal. Arrependido da escolha que fez, Hollen constantemente eleva seus pensamentos em oração pedindo perdão ao Criador. No momento em que o anjo renegado seria condenado a cair eternamente no Abismo, ele enfim recebe uma segunda chance para se redimir, pois uma grande ameaça promete abalar as estruturas do Céu e destruir a humanidade.

O que chama a atenção logo no início da leitura são as bases bíblicas sobre as quais o autor constrói a trama. Isso dá um caráter provocante à obra, o que não é algo ruim, visto que pega algo de conhecimento geral e o expõe sob outro ponto de vista. Em seguida, o que se destaca são as cenas de ação. Todas as batalhas são empolgantes, bem descritas e ambientadas em cenários grandiosos, o que permite que os leitores possam recriá-las perfeitamente na imaginação.

Por outro lado, alguns pontos negativos podem ser observados, a começar pela revisão do texto. Os problemas com pontuação dificultam a leitura em alguns momentos, nos obrigando a ler o mesmo trecho mais de uma vez para compreendê-lo. Alguns personagens com grande potencial também não recebem o merecido desenvolvimento, sendo descartados precocemente. Além disso, não há empatia com o protagonista. Sabemos que Hollen é o herói da história e que ele precisa impedir um grande perigo, mas não há identificação com sua figura. E, por último, as soluções para os conflitos surgem repentinamente, parecendo que a narração está correndo.

Entretanto, todas essas observações negativas podem ser reparadas. Os erros de pontuação se resolvem com uma revisão mais minuciosa; já o desenvolvimento dos personagens e acontecimentos podem ser solucionados dedicando-se mais algumas páginas a eles, algo que enriqueceria o livro.

Assim, Hollen – Anjo Caído, tem grande potencial, bastando apenas que esses detalhes sejam aperfeiçoados. O embate épico entre anjos e demônios é algo que não pode faltar na Fantasia, ainda mais quando esta é nacional.

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.