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Resenha | Harry Potter e A Pedra Filosofal (livro 1)

Resenha | Harry Potter e A Pedra Filosofal (livro 1)

Este é o segundo projeto pessoal de leitura que criei para 2019: ler (finalmente) a saga de livros Harry Potter, da escritora britânica J. K. Rowling. Depois de mais de vinte anos do lançamento de Harry Potter e A Pedra Filosofal, me veio a curiosidade de conhecer esse mundo fantástico e descobrir por que ele é amado por tantas pessoas. E o primeiro volume já me deu uma ideia bem clara do motivo.

Para quem não leu os livros e nem assistiu aos filmes (como é o meu caso), A Pedra Filosofal conta o início da jornada de Harry Potter. No dia do seu 11º aniversário, a vida de Harry muda drasticamente ao receber uma carta convocando-o para estudar na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. O local esconde diversos segredos e, enquanto o garoto aprende os fundamentos da magia e do quadribol, ele descobre a verdade sobre a morte de seus pais e a identidade de seu pior inimigo: Voldemort.

Confesso que tinha um pouco de preconceito e resistência a esta saga. Primeiro por ter se popularizado tanto (a famosa “modinha”) e também por achar que seria algo infantil. Na verdade, quando eu tinha meus 10 anos, por aí, peguei um exemplar deste livro na biblioteca do colégio. Na época, eu não tinha o hábito da leitura; achei difícil e não passei da primeira página. Isso, de certa forma, marcou Harry Potter para mim como o “livro que não consegui ler”, como eu comentei certa vez no podcast sobre leituras marcantes

Hoje eu percebo que estava enganado com relação às minhas restrições, pois a trama rica em detalhes e mitologia tem elementos para encantar tanto os jovens quanto os mais velhos. De um lado temos humor e fantasia, do outro temos suspense e a iminência do perigo. J. K Rowling soube como criar personagens profundos e cativantes, cada um com sua particularidade. Eu já conhecia a escrita da autora de outros trabalhos, como o denso Morte Súbita e a trilogia do detetive Cormoran Strike, a qual ela assina sob o pseudônimo Robert Galbraith. Entretanto, as dimensões de sua genialidade e versatilidade só ficam evidentes quando entramos no mundo extraordinário de Harry Potter. Apesar da riqueza das informações, as descrições narram apenas o que é necessário, sem muitos rodeios, criando as imagens claramente na nossa cabeça; sem contar os diálogos bem desenvolvidos e fluidos.

Harry Potter e A Pedra Filosofal introduz o embate mortal de Harry e Voldemort. Porém seus amigos Hermione e Rony têm papeis importantes nessa jornada, ajudando e aconselhando o protagonista. Outra coisa que me chamou atenção é que tudo é construído de maneira a parecer uma coisa óbvia, mas no fim te surpreende. Certamente, quem já viu os filmes e agora está com vontade de ler os livros, já vai saber muitas coisas de antemão, contudo sempre há as minúcias que só a mídia escrita pode nos fornecer, de modo que ainda terão surpresas pelo caminho.

O desfecho conclui bem o dilema do trio no primeiro volume, mas deixa o gancho para os próximos. Ao longo dos sete livros poderemos acompanhar o crescimento dos personagens e ver a intensificação dos problemas até o derradeiro confronto. Agora fica compreensível para mim por que Harry Potter é tão admirado, lido e assistido mundo afora. Fica o leve arrependimento que diz “por que não li isso antes?”, mas também tenho que levar em consideração o amadurecimento literário pelo qual todo leitor passa. O meu me permitiu que eu apreciasse essa obra da melhor maneira.

Adicione este livro à sua estante!

Ouça o Leituracast 21 sobre leituras marcantes

Leia a resenha de Morte Súbita

Conheça a trilogia de suspense policial do detetive Cormoran Strike

Leituracast DAPA 4: diálogos

Leituracast DAPA 5: descrições

Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.