Capa » Resenhas » Resenha | Halo (Trilogia Halo livro 1)
Resenha | Halo (Trilogia Halo livro 1)

Resenha | Halo (Trilogia Halo livro 1)

A temática angelical sempre foi um assunto que chamou minha atenção dentro da fantasia. Foi por esse motivo que decidi começar a ler a Trilogia Halo, de Alexandra Adornetto, mesmo sabendo que a trama seria motivada por um romance adolescente, algo que é difícil de me agradar. O resultado foi uma leitura com altos e baixos, mas que gerou algumas reflexões.

Halo, o primeiro volume da saga, nos apresenta aos anjos Gabriel, Ivy e Bethany, cuja missão na Terra é combater a influência negativa de seres das trevas sobre os habitantes da cidadezinha de Venus Cove. Para isso, eles precisam se misturar à população como cidadãos normais. Contudo, esta é a primeira vez de Bethany como humana, de modo que sua inexperiência faz com que ela se envolva demais com as pessoas. Assim, a menina acaba se apaixonando por Xavier Woods, o aluno representante da escola. Tal relacionamento desafia as leis celestiais além de pôr em risco a missão de Beth e seus companheiros. Tudo fica pior quando um garoto misterioso e sedutor chega à cidade criando maiores dificuldades para o novo casal.

Só pela sinopse já fica claro que teremos muito romance adolescente. Mesmo assim, eu optei por ler o livro acreditando que isso seria um ingrediente para atrair determinado público-alvo para uma história fantástica. Porém a conclusão a que cheguei ao longo da leitura foi que, na verdade, os elementos fantásticos são o pano de fundo para o romance e não o contrário.

Isso não é necessariamente algo ruim levando-se em conta que já li muitas obras infanto-juvenis e young adult muito boas que tinham um dilema amoroso para causar comoção — como a relação perigosa entre um homem e uma fada em O Inverno das Fadas — mas Halo parece exagerar um pouco nisso. A narração em primeira pessoa feita por Bethany ressalta frequentemente o quanto Xavier é “alto, forte e bonito” e o quanto a garota depende do rapaz, sendo que ela é um ser sobrenatural que sabe muito mais sobre Deus e o Universo do que qualquer humano comum.

Mesmo incomodado com esse drama em alguns momentos, eu pude perceber que a autora expõe justamente os atos inconsequentes de pessoas apaixonadas, principalmente quando é o primeiro amor. Até mesmo um anjo adolescente é suscetível à impulsividade desse sentimento e acho que esse é o maior apelo que o livro tem entre o público de leitores jovens.

Entretanto, alguns diálogos poderiam ter sido mais elaborados, como acontece em outras obras do gênero. A Culpa é das Estrelas, por exemplo, acerta em criar diálogos sagazes que dão carisma e criam identificação com os personagens principais. Halo tenta fazer isso e até consegue algumas vezes, mas no geral soa meloso e clichê. Em determinados trechos parecia que eu estava segurando vela para o casal protagonista.

Cheguei a considerar que eu talvez não fosse o público-alvo desta obra, mas segui em frente me lembrando de outras leituras boas que tive depois de adulto, como Harry Potter e as séries young adult O Ceifador e Na Companhia de Assassinos. Comparado a essas sagas, o livro de Alexandra Adornetto não é ruim, apenas não me agradou em alguns aspectos pois iniciei a leitura esperando uma coisa e recebi outra. Ainda assim, ele passa uma mensagem a respeito do poder das boas ações e apresenta um olhar otimista sobre as pessoas, coisa rara hoje em dia.

De qualquer forma, a narrativa apresenta boas descrições e uma facilidade para ser lida que a deixa fluida e agradável. O gancho para o próximo volume é feito de maneira convincente e quem me indicou a saga garante que a história melhora nos próximos livros. Portanto, é possível que eu dê mais uma chance para Bethany e seus dilemas sentimentais.

Adicione este livro à sua biblioteca!

Conteúdo relacionado:

Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.