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Resenha | Fundação e Império (Trilogia da Fundação livro 2)

Resenha | Fundação e Império (Trilogia da Fundação livro 2)

Dando continuidade à minha leitura da Trilogia da Fundação, de Isaac Asimov, é hora de falar sobre o segundo volume da série: Fundação e Império. Agora, o processo de restaurar a ordem na Galáxia se depara com obstáculos ainda maiores, sejam em forma de ameaças externas ou até mesmo perigos internos.

Depois de três séculos, a Fundação enfim se estabeleceu como um governo na periferia da Via Láctea após se sustentar em bases científicas, religiosas e comerciais. O plano traçado por Hari Seldon com o objetivo de recuperar a paz universal prossegue, mas o antigo Império Galáctico, ou o que sobrou dele, usa suas últimas forças para acabar com os membros da Fundação. Mesmo decadente, o inimigo ainda tem poder suficiente para enfrentá-los, de modo que uma nova Crise Seldon está prestes a estourar.

A obra é dividida em duas partes que originalmente foram publicadas separadas. Em cada uma delas conhecemos os antagonistas que querem dominar a Fundação e seus respectivos meios para isso. Primeiro surge o general imperial Bel Riose, um jovem ambicioso com grandes aspirações. Em seguida, alguém muito mais misterioso é apresentado, cujos objetivos são incertos.

Um bom intervalo de tempo se passa desde a conclusão do primeiro livro e pude perceber como o governo da Fundação mudou sua política com relação aos mundos ao seu redor. Depois da dominação comercial, o próximo passo inevitavelmente foi o uso da força militar, tanto para atacar quanto para se proteger de ataques externos. Mais uma vez, a narrativa de Asimov segue o curso de nossa própria História onde o choque de potências disputando territórios resulta em um conflito de larga escala.

Como eu já havia dito na primeira resenha, o autor se inspirou em algumas doutrinas polêmicas para criar esse cenário político e uma delas é o nazismo e sua total aversão à democracia. Com essa ideia em mente foi fácil reconhecer os rumos que os governantes da Fundação estavam tomando ao se tornarem aquilo que deveriam combater. Isso me trouxe ainda mais dúvidas sobre a real índole da instituição para cumprir sua missão com a humanidade. Por outro lado, esses momentos obscuros aparentam ser necessários em um processo de evolução, tanto que a própria psico-história os prevê.

Entretanto, imprevistos ocorrem em qualquer lugar e é justamente isso que traz o grande dilema descrito na segunda parte de Fundação e Império. Aquela previsibilidade das ações humanas é posta em cheque por uma nova peça inserida no contexto e isso resulta em mais desafios a serem contornados. A narração se torna muito mais dinâmica em relação ao volume anterior com mais ação e um sentido de urgência maior.

Um personagem em especial chama a atenção: o Mulo. O mistério por trás dessa figura e sobre seus métodos me causou grande curiosidade. Confesso que em alguns momentos eu cheguei a deduzir corretamente quem ele era, mas logo em seguida eu não tinha mais tanta certeza. A confirmação sobre sua identidade e seus objetivos só ocorre nas últimas páginas, com uma revelação chocante que faz um gancho perfeito para o terceiro livro, Segunda Fundação.

Fundação e Império é bem-sucedido ao mostrar que todo plano possui falhas e que elas podem acontecer graças a estímulos que vêm de fora ou então podem ser intencionalmente provocadas por pessoas de dentro. De uma forma ou de outra, Asimov mostra novamente como tinha uma compreensão apurada sobre a humanidade e como algumas coisas nunca mudam, apesar de tudo.

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.