Resenha | Fluindo o Olhar – Fragmentos e memórias de um blog

Resenha | Fluindo o Olhar – Fragmentos e memórias de um blog

A internet é um ambiente democrático onde podemos encontrar diversos textos com conteúdo de qualidade. Diversos escritores compartilham suas reflexões e visões de mundo em sites e blogs e, dessa forma, atingem outras pessoas que passam por situações e dilemas semelhantes, criando um elo entre leitor e autor. E foram de páginas na internet que surgiu o livro de crônicas Fluindo o Olhar, escrito em conjunto por Jenny Rugeroni, Viviane Righi e Marcus Alencar.

A obra reúne os melhores escritos do blog Fluindo o Olhar, que surgiu em 2005 graças à parceria de três amigos que se conheceram na “blogosfera”. Jenny, Viviane e Marcus possuíam – e ainda possuem – a mesma paixão: escrever. Escrever sobre seus pensamentos e impressões na esperança de tocar quem os lê e, quem sabe, contribuir de alguma forma para que a sociedade se torne melhor. Com isso em mente, o livro foi dividido em três partes, cada uma com alguns textos dos autores, que possuem estilos diferentes, mas integram de forma coesa a mensagem final.

Na primeira parte, começamos com Jenny Rugeroni, autora de ‘O Segredo da Amoreira, ‘A Herdeira do Silêncio‘ e a não-ficção ‘Virando o Jogo do Amor’. Seus textos falam das experiências que adquiriu e dos aprendizados que tirou das adversidades. Seus relatos pessoais nos servem como exemplos de que basta nossa própria vontade para sairmos de uma situação complicada ou para ultrapassarmos um obstáculo aparentemente intransponível sem ficar se queixando da vida.

No fim, a arte de viver está em saber ser feliz com o que se tem. Isso não é conformismo, e não exclui o desejo de melhorar. Querer progredir não nos impede de sentir gratidão pelo que a vida nos deu.” – Texto: Game Over

Em seguida, vêm as crônicas da professora Viviane Righi. A sua forma de criar empatia com os leitores já é um pouco diferente. Através do seu olhar apurado sobre fatos cotidianos, ela nos dá “dicas” de como podemos ser melhores para nós mesmos e para os outros. “Dicas” está entre aspas pois não é uma lição imperativa, como em um livro de autoajuda, até porque o objetivo da coletânea não é esse, mas sim nos estimular a reflexão.

O que precisamos é experimentar a vida com mais alegria e disposição em ser, viver e aprender. E se isso não estiver fácil, mãos à obra! Não cruze os braços diante das dificuldades do caminho. Podemos transcender.” – Texto: A Vida Ensina?

Por último, os textos de Marcus Alencar, um jornalista observador que possui uma sensibilidade que infelizmente falta a alguns homens para enxergar determinados contextos sob um ponto de vista mais igualitário. Assim, a temática central de seus artigos gira em torno da evolução pessoal e do autoconhecimento usado como inspiração. Conhecendo a nós mesmos e às nossas limitações, sabemos o tempo certo para uma mudança ocorrer.

Acredito que uma mudança tem o poder de transformar a vida de uma pessoa, ainda mais quando é algo que parte de uma vontade real em conhecer novas possibilidades. É como ter um controle maior sobre sua história. Ser mais independente e livre para voar. Afinal de contas, todos temos asas.” – Texto: Um Conceito Sobre Evolução Pessoal

Sendo assim, Fluindo o Olhar é uma coletânea de crônicas que nos toca de diferentes formas: através do exemplo, através da ação e através das mudanças. Mesmo que não haja identificação com todos os textos, ao menos em alguns os leitores se identificarão com algo familiar, algo que flui para além do campo das palavras e se converte em atos.

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.

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