Resenha | A Escolha dos Três

Resenha | A Escolha dos Três

A Escolha dos Três é o segundo volume da série A Torre Negra, do aclamado escritor norte-americano Stephen King. A saga é composta por sete livros (oito, se considerarmos o spin-off que conta as aventuras do passado do protagonista) e narra a incansável busca do pistoleiro Roland Deschain pela Torre que, simplificando bem, é a matriz de todo tempo e de todo o espaço.

Esta segunda parte dá continuidade aos acontecimentos de O Pistoleiro. Seguindo uma profecia, Roland precisa encontrar três figuras que terão importância decisiva na sua jornada: o Prisioneiro, a Dama das Sombras e a Morte. Para encontrá-las, ele tem de atravessar três portas ao longo de uma praia deserta e interminável. Tais portas o conduzem através do espaço/tempo para diferentes épocas na cidade de Nova York. Ao atravessá-las, o pistoleiro conhece seus escolhidos: Eddie Dean, um viciado em heroína; Odetta Holmes, uma mulher que sofre de um distúrbio de dupla personalidade, ocultando a perversa Detta Walker em sua mente; e por fim a Morte, cuja função é embaralhar o destino de todos eles. Complicando ainda mais sua condição, Roland encontra-se gravemente ferido…

Para começar, só a ideia de portas que se erguem do nada no meio de uma praia erma já é suficiente para demonstrar a imaginação fértil de King. Não bastasse isso, a forma como Roland interage com seus escolhidos depois de atravessar as portas é ainda mais genial se considerarmos a época de publicação do livro (1987). Ao lidar com pessoas diferentes, de épocas distintas e com problemas realmente graves, ele terá que sair de situações aparentemente sem soluções plausíveis. Isto nos impulsiona na leitura para descobrirmos como o pistoleiro resolverá seus problemas para, enfim, retomar a procura pela Torre.

No prefácio do primeiro livro, Stephen King declarou que se inspirou no mundo fantástico de Tolkien para conceber A Torre Negra, entretanto queria escrever seu romance do seu próprio jeito, apesar de ainda não saber que jeito seria esse. Ele só descobriu isso quando assistiu a Três Homens em Conflito, um filme de faroeste dos anos 60. E é justamente essa atmosfera de faroeste que sentimos ao ler A Escolha. As próprias personagens da trama que veem Roland caminhando na rua com dois revolveres na cintura sentem isso, mas não sabem explicar exatamente o porquê.

Outro ponto interessante do livro é conhecermos “nosso mundo” sob o ponto de vista do pistoleiro. Isso de certa forma é uma crítica sutil à nossa sociedade, camuflada em uma narrativa fantástica. Como Roland veio de uma realidade paralela, chegar em Nova York e ver carros e aviões – aos quais ele se refere como carruagens – foi um verdadeiro choque. O que o impressiona igualmente é o fato de as pessoas lidarem com a tecnologia de forma tão banal, como se nada disso fosse de grande importância. Contudo, além das surpresas, ele observa também os aspectos negativos das pessoas, como a ganância, a corrupção e seus vícios.

Assim, A Escolha dos Três é uma obra de peso dentro do romance maior que é A Torre Negra. Com um ritmo empolgante, o segundo volume chega a seu desfecho sem deixar a desejar, nos impelindo a procurar logo pela sua sequencia para descobrirmos qual será o próximo passo de Roland para encontrar sua tão sonhada Torre.

Leia também as resenhas dos outros volumes de A Torre Negra:

Adicione este livro à sua estante!

Edição tradicional

Edição tradicional

Edição de bolso

Edição de bolso

Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.
  • Eduarda Lima

    Que livro heim!! Pela resenha já dá pra sentir que não dá pra ficar entediado em nenhuma linha. Adorei saber que ele se inspirou um pouco em Tolkien e sim.. King parece ter uma imaginação fértil, graças a Deus. Parabéns pela resenha *-* beijão

    • Sim, não existe tédio lendo esse livro! Uma boa fonte de inspiração aliada a uma criatividade surpreendente resulta nisso. Obrigado pelo comentário. Beijo!

  • Pingback: Resenha | As Terras Devastadas - Leituraverso()

  • Pingback: Resenha | O Pistoleiro - Leituraverso()

Nossos Parceiros