Resenha | Dragões da Tempestade

Resenha | Dragões da Tempestade

Qual o melhor, o livro ou o filme? Essa é uma pergunta que pode dividir opiniões. Mas e se os dois forem a mesma coisa? Imaginem as melhores características que esses dois formatos de mídia podem oferecer reunidas em apenas uma obra: um cinelivro. Foi isso que o escritor Leonardo Reis, integrante do Stalo!, fez ao conceber a fantasia épica Dragões da Tempestade.

Após diversas guerras entre as Três Nações – Axengard, Solfira e Brummata – os sacerdotes criaram os Dragões da Tempestade, uma ordem de guerreiros treinados a vida inteira para nunca perderem uma batalha e zelarem pela paz. Porém, uma profecia prega que muito em breve o Imortal surgirá, trazendo consigo a morte dos Dragões e o início da guerra definitiva. Enquanto isso, o guerreiro Zairos se vê dividido entre cumprir seu dever ou sua vingança pessoal, de forma que suas escolhas podem afetar drasticamente o destino de todos a sua volta.

Apesar de, a princípio, parecer uma história já conhecida, o diferencial está em como ela é contada. O autor se valeu das técnicas literárias de narração e as moldou no formato de um roteiro de cinema. Isso resultou em uma leitura ágil, objetiva e com um apelo visual muito forte, como em um filme de fato. As imagens se formam em nossa mente de forma clara, sejam os cenários, as vestimentas ou as cenas de ação muito bem descritas. O contexto de cada passagem é traçado em poucas linhas e já temos a compreensão do que está acontecendo. Já os diálogos seguem a estrutura de um script, com o nome do personagem seguido por sua fala. Vendo dessa forma, a leitura pode parecer estranha, mas nos habituamos rapidamente. Quem já teve contato com as obras de dramaturgos como Shakespeare então, não terá nenhum problema, visto que elas eram escritas para serem peças de teatro.

Segundo o próprio autor, a produção original visa ser adaptada para um filme. Inclusive, o projeto já ganhou diversos prêmios internacionais na categoria de roteiro de fantasia épica não produzido, como o World Series e o Toronto International. O lançamento do cinelivro tem o objetivo de tornar a adaptação possível e angariar mais admiradores para a obra. Caso isso se concretize, representará uma grande conquista o fato de um brasileiro, escritor de literatura fantástica, ter seu trabalho reconhecido e adaptado para o cinema internacional.

A trama em si flui tranquilamente até o final. Quando achamos que os acontecimentos estão caminhando para um desfecho previsível, somos surpreendidos por uma guinada ou um fato novo. A premissa de que as escolhas de um indivíduo têm o poder de influenciar o destino de muitos outros foi bem desenvolvida, chegando ao ponto de permitir que os leitores também participem da narrativa ao fazerem suas próprias escolhas.

Pode-se dizer que Dragões da Tempestade é uma obra extraliterária, pois nos leva além das palavras para um mundo fantástico. Assim, Leonardo Reis pôs fim ao embate livro versus filme ao juntar o melhor que cada uma dessas expressões de arte possuem para entreter seus expectadores.

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.

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