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Resenha | Criação Divina

Resenha | Criação Divina

Há pouco tempo, mais especificamente um post atrás, comentei sobre o primeiro livro do escritor Fernando Raposo, Hollen – Anjo Caído. Agora dou um salto no tempo para falar de sua terceira obra, o recém lançado Criação Divina.

Servindo com um spin-off de Hollen, o novo trabalho de Raposo foca em João, um rapaz que optou pelo agnosticismo após a dolorosa perda de seu avô. No primeiro dia de seu estágio, uma série de acontecimentos estranhos fazem com que o jovem conheça a misteriosa e sedutora Lilin e a bela Raquel, a nova colega de trabalho. O mundo de João torna a virar de cabeça para baixo após a morte de seu melhor amigo, Thiago. Abalado, ele descobre que seu destino lhe reserva uma grande responsabilidade que o obrigará a rever suas crenças e valores.

Digo que Criação Divina é um spin-off porque ele contém muitos elementos fantásticos já apresentados em Hollen e a mesma temática angelical, entretanto a obra pode ser lida sem depender de sua predecessora. Outra característica que a mantém no mesmo universo é o embasamento bíblico, dessa vez muito mais forte e melhor desenvolvido. Além disso, é perceptível a evolução na escrita do autor, que está muito mais clara e objetiva, tornando a leitura fluida e prazerosa.

Outro ponto de acerto são os personagem centrais. João, Raquel e o celestial Rafael têm o carisma necessário para que torçamos por eles. Os dois primeiros, por serem humanos, despertam empatia ao passarem por mazelas que muitas pessoas podem enfrentar ou já enfrentaram. Já o anjo é uma espécie de guia, mas também um guerreiro habilidoso. Fica a cargo dele grande parte das cenas de ação, as quais têm um apelo visual forte, narradas de forma a criarmos os cenários e movimentos perfeitamente em nossa imaginação.

É nesse ritmo frenético que os acontecimentos vão se desenrolando até chegar ao grande clímax. A conclusão dada pelo autor teve lógica dentro do cenário fantástico criado por ele, de forma que não pareceu algo jogado ali para encerrar a trama de qualquer forma. Pelo contrário, ela deixa um gancho para futuras obras prometendo mais aventuras pela frente.

Assim, Criação Divina mostra a evolução de Fernando Raposo como escritor e possivelmente o início de um novo universo compartilhado dentro da literatura fantástica nacional.

Adicione este livro à sua biblioteca!

Leia a resenha de Hollen – Anjo Caído

 

Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.