Resenha | Cavaleiro Negro

Resenha | Cavaleiro Negro

No fundo, toda fantasia é um espelho da realidade. As relações entre o fantástico e o real na literatura fantástica sempre instigaram os leitores a observar o mundo a sua volta de forma diferente. Outro ponto interessante é como uma ficção ambientada em tempos antigos consegue dialogar com a atualidade. É por todos esses motivos apresentados que venho aqui comentar sobre Cavaleiro Negro, primeiro livro do escritor Davi Paiva. Trata-se de uma fantasia medieval que conta a história de Fidler Koogan, um jovem que aos 8 anos perdeu seus pais e foi mandado para um orfanato na província de Rdyddle onde sofreu mais perdas traumatizantes. Aos 14 anos, ele fez uma promessa: voltar e conquistar Ryddle para governá-la, não importando os riscos, os recursos ou quem encontrasse em seu caminho.

Antes de começar a falar propriamente sobre esta publicação, acredito que seja necessário olhar para a trajetória de seu autor. Davi Paiva já participou de diversas antologias literárias por várias editoras além de publicar artigos sobre cinema, quadrinhos e literatura em blogs e sites especilizados. Ele também já escreveu contos em gêneros diferenciados, o que demonstra uma certa versatilidade e interesse notório em estar produzindo de forma constante. Observando este breve retrospecto dentro de uma análise sobre Cavaleiro Negro é seguro afirmar que toda essa bagagem cultural garantiu uma boa base para a história.

Caso os futuros leitores sejam pessoas que curtem histórias em quadrinhos, por exemplo, a apreciação certamente será garantida. Sobre isso, vale lembrar que o livro possui 7 arcos que contam desde a infância de Fidler, passando pelo seu treinamento e ascensão como guerreiro. Obviamente, não irei detalhar os títulos destes arcos para não liberar nenhum spoiler. No entanto, não posso deixar de ressaltar o quanto a trajetória do protagonista possui uma certa semelhança com um dos maiores ícones da nona arte: O Batman. Aliás, logo no primeiro capitulo esse detalhe é levado a tona. Para os mais atentos, é possível relembrar da forma como o Homem-Morcego foi retratado nos cinemas nos filmes dirigidos por Christopher Nolan. Obviamente, essas referências nada mais são do que algo que torna a experiência de leitura mais interessante. Outra semelhança literária que podemos encontrar no livro está nos capítulos iniciais. Para este redator, não há como relembrar com certo saudosismo do personagem mais conhecido de Rick Riordan: Percy Jackson.

A forma como os personagens são desenvolvidos neste primeiro arco chamado Infância têm um tom mais leve tal qual um livro voltado para um público mais jovem. Curiosamente, isso vai mudando aos poucos deixando a história bem mais sombria. É como se o leitor estivesse lendo o melhor de uma série de livros em apenas um único volume sem “enchimento de linguiça” ou “gorduras” para ser mais direto. Falando em objetividade, é importante lembrar que a quantidade de páginas por capítulos é muito pequena. Isso facilita a organização da leitura de uma forma muito prática.

Outro ponto a ser ressaltado é a ambientação criada neste romance medieval. Percebe-se a criação de um universo onde convivem monstros, assassinos, piratas, espadachins, arqueiros, magos e muito outros tipos diversos. Além disso, existem províncias com caraterísticas tão distintas que mereciam até um desenvolvimento maior por parte do autor. Não só isso como também outros personagens secundários também poderiam ganhar uma abordagem maior caso este livro tivesse uma continuação.

Apesar disso, é importante destacar como desenvolvimento de Fidler Koogan é cada vez mais interessante a medida que a leitura vai avançando. Ele não é um simples cavaleiro do tipo bruto e sem cerébro. Sua maior força está na inteligência e sede de conhecimento. Talvez por esse motivo é que seja tão difícil prever suas ações em certos momentos. Outro mérito do livro é a forma como muitos acontecimentos dialogam com questões atuais da nossa sociedade. Existe até espaço para questões politicas, um detalhe notável pois faz com que esta aventura tenha uma substância a mais. Enfim, se procura uma aventura diferenciada o Cavaleiro Negro é uma opção que não pode passar batido.

Sobre Marcus Alencar

Apresentador do Leituracast, Jornalista, blogueiro e um homem de diversas paixões. Amo quadrinhos, cinema e literatura, mas não necessariamente nessa ordem. Acima de tudo, amo a forma como esses meios de comunicação conseguem produzir obras capazes de nos tirar do lugar-comum e propiciar a reflexão. No caso dos livros, destaco toda a saga de Percy Jackson nas séries de livros do escritor Rick Riordan. Não sei se foi à identificação quase que imediata com o personagem central ou fato de sempre me interessar por mitologia grega, mas o importante é que esses livros despertaram de forma mágica meu interesse pela leitura assim como outras grandes obras já fizeram o mesmo comigo em outros períodos e de formas diferentes. Enfim, ler pra mim é uma viagem especial e mágica que sempre farei com muito prazer em qualquer época da minha vida

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