Resenha | As Terras Devastadas

Resenha | As Terras Devastadas

Mais uma vez, Stephen King nos mostra por que A Torre Negra pode ser considerada sua obra prima. Dando continuidade à saga, As Terras Devastadas – terceiro volume da série – retoma a jornada do pistoleiro Roland de Gilead e seus companheiros em busca da misteriosa Torre que possivelmente contém os segredos do Universo.

A trama começa apenas alguns meses depois dos fatos ocorridos no segundo romance, A Escolha dos Três. Encontramos Roland junto com seus escolhidos, Eddie e Susannah, no interior de uma floresta na qual reside um dos Guardiões dos 12 Portais. Esses portais são ligados, dois a dois, por seis Feixes de Luz e, na interseção dos Feixes, encontra-se a Torre Negra. O objetivo do Pistoleiro e seus aprendizes é chegar até a Torre seguindo por esse caminho invisível. Porém, ao longo do percurso, eles precisam resgatar o quarto membro do grupo, essencial para que o destino de todos se cumpra.

No decorrer do trajeto, eles vão passando por uma região aparentemente vazia, habitada apenas por vegetação, animais mutantes e a ruína de uma cidade muito antiga no horizonte envolta em uma aura de perigo. Ao longo da leitura é comum nos perguntarmos se o mundo de Roland é um reflexo do nosso ou se é o nosso futuro. Mas essa é uma questão que provavelmente só será respondida na conclusão da série. Tudo que sabemos até o momento é que o mundo do pistoleiro “seguiu adiante”.

King deixa bem claro que se inspirou em várias fontes para conceber esse romance épico. Ao fazermos o caminho inverso podemos sentir, também, as influências sobre outras obras da cultura pop neste livro. Em diversos momentos parece que estamos dentro do universo de The Walking Dead; em outros, sentimos que caímos dentro do mundo insano de Mad Max; e até mesmo que estamos presenciando outra versão de O Exterminador do Futuro. A referência maior, contudo, é de O Senhor dos Anéis, como a própria personagem Susannah sugere ao ver o cenário de desolação em que se encontram.

“[…] Susannah, que lera Tolkien, pensou: Isso foi o que Frodo e Sam viram quando chegaram ao coração de Mordor. Estas são as Fendas da Perdição”.

São por essas terras que Roland e seu Ka-tet vão seguindo, até encontrarem a verdadeira devastação. O final, como já era esperado, não é uma conclusão, mas sim um gancho para o próximo volume. O autor declara que o livro ganhou vida própria e decidiu por si próprio o momento de terminar. Portanto, As Terras Devastadas, assim como a Torre Negra em si – onde o tempo dobra-se sobre si mesmo – é uma gama de referências onde não sabemos quem influenciou quem, nem o que é reflexo do que.

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias

Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.