Resenha | A Culpa É das Estrelas

Resenha | A Culpa É das Estrelas

É de se esperar que uma trama sobre uma paciente em estágio terminal tenha boas doses de drama. Junte a isso um romance adolescente e você tem uma história clichê digna da Sessão da Tarde… Porém, não é isso que ocorre em A Culpa É das Estrelas, do autor norte-americano John Green.

Comecei a ler esse livro descompromissadamente, apenas por curiosidade – já que, com a estreia da adaptação para o cinema, o livro voltou a ser muito procurado. Contudo, logo nas primeiras páginas, a narração em primeira pessoa conseguiu prender minha atenção.

Imagine o que é ser uma adolescente marcada para morrer a qualquer momento e ter que ouvir palavras encorajadoras e vazias, além de ser alvo de pena das pessoas a todo o momento. Ou você reage a isso com amargura, ou releva com uma dose de humor sarcástico. E foi justamente a segunda opção escolhida por Hazel Grace, o que tornou a leitura muito prazerosa do começo ao fim.

Acima de tudo, esse é um livro sincero. Seu foco não é na superação da doença, mas também não se trata de um relato conformista.  É engraçado ver o casal Hazel e Augustus tirando sarro dos próprios infortúnios e interessante enxergar o mundo pelos olhos deles. Em meio a tantos problemas, eles se fazem questionamentos sobre coisas tão simples e cotidianas, mas que poucas pessoas param para pensar a respeito.

No fundo, eles não são mais vítimas do que as pessoas “saudáveis”. Assim como eles, todos estamos em constante batalha para sermos notados, para deixarmos nossa marca no mundo. Em meio a um Universo tão vasto, significar algo para alguém já significa tudo.

Em suma, esse é o principal recado que A Culpa É das Estrelas nos passa. Significar algo não quer dizer realizar grandes feitos, mas sim valorizar e reparar nas coisas pequenas e nos momentos singulares.

Adicione este livro à sua estante!

a culpa é das estrelas

Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.