Resenha | Promessa de Fogo – Abismo: livro 1

Resenha | Promessa de Fogo – Abismo: livro 1

Na Literatura, a motivação que impulsiona os protagonistas a iniciarem uma jornada pode se manifestar de diversas formas: amor, ambição, fome de poder ou simplesmente um espírito aventureiro. Entretanto nenhuma força é mais poderosa e mortal que o desejo de vingança. E este é justamente o mote do novo livro de Thiago d’Evecque: Promessa de Fogo. Aqui, o autor de Limbo nos conduz para o Abismo, sua nova série literária.

O primeiro volume nos apresenta Alicia, uma fazendeira que vive com seu pai e seu noivo em Timóteo, um pequeno povoado no reino de Vanda, até o dia que um grupo de mercenários destrói o vilarejo, levando seu pai como refém e matando os demais. Nesse momento, um ódio incontrolável cresce dentro da moça e tudo em que ela pensa é vingança. Para chegar aos responsáveis pelo ataque, ela tem de atravessar uma terra repleta de répteis pré-históricos, soldados corruptos e intrigas envolvendo o culto a demônios e o uso de magia de sangue para dar vida a criaturas mecânicas. Ao mesmo tempo, a jovem trava uma luta interna para manter sua humanidade enquanto mergulha cada vez mais fundo no Abismo.

De início, a impressão que fica é que a trama utiliza elementos muito diferentes para que haja coerência. Porém todos esses fatores estão bem costurados de forma que constituem uma mitologia própria que é explicada ao longo da história. Outra característica que facilita a assimilação são as referências sutis que o autor faz a outras obras conhecidas como Game of Thrones, Final Fantasy, O Exterminador do Futuro, Robocop e o mangá Berserk, no qual um dos personagens usa uma espada gigante.

Em Promessa de Fogo, quem usa tal arma é Charlotte, a ex-capitã da Guarda Real do Norte e tia de Alicia. Ela é uma das personagens mais interessantes da trama com seu jeito durão e estilo de luta peculiar. Além dela, há a habilidosa arqueira Matilda, outra figura de grande importância e a responsável pela maioria dos momentos cômicos. Juntas, as duas são fundamentais para orientarem a protagonista e mantê-la humana em sua empreitada.

Toda decisão significa um abandono. Cada escolha deixa outra opção para trás. Sempre haverá arrependimentos, sempre haverá “o que poderia ter sido”. Um mundo de possibilidades sempre seria destruído ao agarrar-se a uma escolha. O que importava era resolver com qual delas seria mais fácil viver.

Ainda é possível criar um paralelo com Passagem para A Escuridão, fantasia medieval do escritor Danilo Sarcinelli. Mesmo sendo ambientados em contextos diferentes, as duas tramas giram em torno de figuras demoníacas que vivem no submundo e sua influência sobre as escolhas feitas pelos protagonistas. Até mesmo o fanatismo religioso é pertinente em ambos os romances.

Seguindo com a obra de d’Evecque, a narração em terceira pessoa caminha até a conclusão de seu primeiro arco e introduz o que será explorado na sequência. Os mistérios criados são suficientes para deixar os leitores ansiosos para ler a continuação, o que releva a habilidade do autor em criar um público fiel com seu talento narrativo. Em outras palavras, Promessa de Fogo dá início a uma trajetória épica dentro da literatura fantástica nacional com todos os ingredientes para formar uma aventura movida pelo sentimento frio e mordaz da vingança.

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.

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