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O Poder da Espada (A Primeira Lei – livro 1) | Resenha

O Poder da Espada (A Primeira Lei – livro 1) | Resenha

Conheço diversos autores nacionais de fantasia que admiram o trabalho de Joe Abercrombie e, de tanto ouvir referências aos seus livros, decidi me aventurar por suas obras. O ponto de partida foi O Poder da Espada, primeiro volume da trilogia A Primeira Lei. E apenas com esse primeiro contato, pude perceber por que seu estilo de escrita é tão elogiado.

No primeiro livro da trilogia, encontramos a União prestes a entrar em guerra contra os domínios vizinhos. Como se não bastassem os perigos externos, uma rede de conspirações e intrigas está se desenrolando nos bastidores do poder, ameaçando a estabilidade do reino. Nesse período de incertezas, surge um homem alegando ser o lendário Bayaz, o Primeiro do Magos. Sua aparição afetará diretamente a vida de três outros homens: o capitão do exército Jezal dan Luthar, o guerreiro Logen Nove Dedos e o inquisidor Sand dan Glokta.

A trama é sustentada por esses quatro personagens, cada um com a sua personalidade e os seus dilemas. Bayaz é um velho comunicativo e seguro de si, mas perigoso quando contrariado. Jezal é um rapaz arrogante e preconceituoso que se acha melhor do que outros graças a sua classe social e ao seu posto no exército; seu único objetivo é vencer o campeonato de esgrima para ascender no governo. Logen Nove Dedos, também conhecido como o Nove Sangrento, é um nórdico cuja fama de guerreiro impiedoso se estende por todos os cantos, mesmo que ele tente se afastar das lutas e de seu passado sombrio.

Porém, nenhum deles é tão complexo e carismático quando Glokta. Depois de passar anos sendo torturado nas mãos dos inimigos da União, ele retorna para casa cheio de sequelas irreversíveis e acaba se tornando o torturador oficial do próprio reino. Ele extravasa toda sua amargura com comentários irônicos e perspicazes que me fizeram simpatizar com ele logo de cara, apesar de toda a sua frieza. Sem contar que é um sujeito esperto que sabe de que lado ficar para permanecer vivo.

Sob a perspectiva desses personagens, vamos conhecendo o enredo de O Poder da Espada. A principal característica da escrita de Abercrombie é a descrição que ele faz dos cenários e das pessoas sem nos passar mais informações do que o necessário. Descrevendo as situações sob o ponto de vista de cada personagem, vamos juntando aos poucos os fatos necessários para entender a dinâmica da União e de seus habitantes. Essa é uma técnica de escrita chamada show, don’t tell, onde o autor literalmente nos mostra o que está acontecendo — através do olhar de um espectador — sem precisar narrar palavra por palavra.

Por ser o primeiro volume de uma trilogia, o ritmo desse livro é um pouco mais lento, introduzindo o panorama geral da história, os personagens e as intrigas que estão rolando. Mas nem por isso deixa de ter momentos empolgantes e cenas violentas que mostram o potencial dos protagonistas, além de preparar o terreno para a sequência: Antes da Forca.

Agora eu posso entender por que tantos autores se inspiram nas obras de Joe Abercrombie e indicam sua leitura. Uma trama bem construída e bem narrada é meio caminho para conquistar leitores e O Poder da Espada conseguiu me instigar para descobrir mais sobre o trabalho do autor e o mundo apresentado por ele em A Primeira Lei.

Adicione este livro à sua estante!

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.