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O Olho do Mundo (A Roda do Tempo – livro 1) | Resenha

O Olho do Mundo (A Roda do Tempo – livro 1) | Resenha

Eu sempre via comentários a respeito da saga A Roda do Tempo e reconhecia seus livros devido às capas bem características, porém nunca havia parado para descobrir sobre o que a obra realmente tratava. Agora, com o lançamento da série no Prime Video, finalmente procurei o primeiro volume: O Olho do Mundo. O resultado foi uma leitura divertida na maior parte do tempo, com diversos elementos clássicos da alta fantasia em um universo ricamente detalhado pelo escritor Robert Jordan.

Nesse livro, conhecemos Rand, Mat e Perrin, três jovens que vivem na distante região dos Dois Rios. Às vésperas do festival que celebrará o fim de um rigoroso inverno, uma estrangeira e seu companheiro chegam à aldeia dos rapazes. Na mesma noite, a vila é atacada por criaturas bestiais e quem impede que tudo seja destruído é essa mesma mulher, Moiraine. Além de salvar os garotos, ela os conduz por uma jornada repleta de perigos pois acredita que um dos três, ou até mesmo todos eles, pode ser uma peça fundamental para a salvação ou destruição do mundo.

A complexidade da história criada por Jordan está na mitologia que compõe esse cenário fantástico: acredita-se que o Criador deu origem ao universo e criou a Roda do Tempo para regê-lo. A Roda tece o destino de todas as pessoas seguindo determinados padrões em cada Era até que um dia tudo recomeça. Em todo ciclo uma catástrofe conhecida como a Ruptura do Mundo é um ponto fixo causado por um homem conhecido como o Dragão. Todo esse Worldbuilding é baseado em filosofias, conceitos e religiões como o budismo, a metafísica e até mesmo o cristianismo ao apresentar as ideias de equilíbrio, destino e duas forças opostas.

Apresentar isso tudo de uma vez só não é uma tarefa fácil. São muitos acontecimentos, muitos nomes e diversos lugares diferentes para se lembrar de tudo. Eu mesmo fiquei confuso em alguns momentos com a variedade de personagens e figuras mitológicas. Nesse ponto, o glossário ao final do livro é muito esclarecedor e consegue ajudar bastante sem dar nenhum spoiler da obra. E mesmo assim não é possível compreender as coisas totalmente. Não é à toa que a saga completa possui 14 volumes, de modo que mais detalhes virão futuramente.

Tanta informação assim acaba deixando o ritmo da narrativa de O Olho do Mundo lento e cansativo em algumas partes. Quem já está familiarizado com O Senhor dos Anéis irá reconhecer a mesma prolixidade de Tolkien em Robert Jordan, de forma que o autor perde muito tempo em algumas descrições e capítulos muito extensos. Pelo menos até o capítulo 10 minha leitura fluiu bem devagar, mas daí em diante melhora consideravelmente.

Entre os personagens principais, cada um vai ganhando certa importância ao longo da trama. Apesar de Rand ganhar muito destaque, não o acho um protagonista tão carismático. Mat impressiona pela burrice, mesmo tendo um bom desenvolvimento. Já Perrin é o que mais surpreende pelo rumo que o personagem segue. Moiraine é um caso à parte, pois ela já começa como uma mulher poderosa mas deixa aquela dúvida sobre quais são suas reais intenções.

Pelo tanto de histórias paralelas, de figuras que surgem ao longo do caminho e pela forma como o primeiro livro termina, é certo que os próximos terão que focar em outros personagens para explorar o potencial de cada um da melhor forma. Porém eu só descobrirei quem ganhará mais atenção quando começar a ler o segundo volume, A Grande Caçada.

Por mais que seja um livro com ritmo lento, O Olho do Mundo mostra que A Roda do Tempo é uma saga grandiosa que ainda tem muita coisa pela frente para apresentar, além de servir de inspiração para muitos escritores de fantasia. Agora fica a expectativa para que a série da Amazon corresponda à obra original e seja bem recebida pelos espectadores.

Adicione este livro à sua b0iblioteca!

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Sobre Mozer Dias

Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.